sábado, 18 de novembro de 2017

Da lente do Magro Borin

Castelo dos Mascarenhas, no Tiaraju.

Igreja do Galo, ainda com o galo.

Igreja do Tiaraju.

Entrada do Parque de Exposições Assis Brasil.

Estrada do Pedroso.

Centro da cidade.

Outra foto do centro da cidade.

Trilhos que levam ao Suspiro.

Rio Vacacai sofreu com a grande seca de 1968.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Futebol no 6º BE Cmb

Time do 6º BE Cmb - Batalhão Tenente Coronel José Carlos de Carvalho -, em agosto de 1972. Em pé: Roberto - Madruga - Bira - Scherer - Jaime. Agachados: Etogar - Jefer - Souza - Neves e Moure. (Foto: Arquivo de Jefer Estigarraga)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Carreteando em São Gabriel

Carreta transitando por uma estrada interiorana de São Gabriel. Sem dúvida uma linda foto. (Arquivo: Vaso Moreira)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Homenagem merecida

Se tem uma pessoa em São Gabriel que eu prezo muito, é Bereci da Rocha Macedo. Amigo sincero e leal de muitos anos, escreveu em todas as edições do meu saudoso jornal "Tribuna do Povo", que circulou por muitos anos, quando eu morava em São Gabriel.

Sou até hoje seu fã de carteirinha e não entendo como a cidade ainda não o colocou na Câmara Municipal. Com certeza seria um excelente vereador, pois além da sua honestidade inquestionável, tem lucidez e inteligência suficientes para realizar um grande trabalho em beneficio da sociedade local.

Mas essa é outra história. Hoje, me limito a publicar um artigo escrito por ele e publicado no jornal "Correio Gabrielense", em que lembra a figura extraordinária do grande amigo que foi o Ervandil Machado e de sua esposa dona Lucinda, ainda entre nós.

Homenagem merecida, sem a menor dúvida, que nos remete a uma viagem ao passado, nos tempos dos imorredouros churrascos na Mercearia do Tamica, encontro de amigos nos sábados a tarde..

Tributo à Educação

Bereci da Rocha Macedo

Lucinda de Souza Machado e Ervandil Vieira Machado

Nestes tempos modernos em que o avanço da tecnologia e da Ciência é inegável, mas que a extraordinária decadência moral do ser humano é também inquestionável, reafirmo minhas convicções de que tudo isso acontece pela ação do homem, independente de sua posição socioeconômica.

Quando na modernidade existe corrente de pensamento que transfere a responsabilidade da Educação ao Estado, através das escolas, venho por meio deste espaço, mais uma vez, reafirmar que a Educação é obrigação na família e a escolaridade do Estado.

O exemplo do que afirmo é o casal Lucinda-Ervandil Machado, união que concebeu, criou e encaminhou nada menos do que oito filhos.

Nossa família foi uma das primeiras a morar na Vila Mariana, parece que hoje bairro, e foi lá que conheci o senhor Ervandil, que a maioria conheceu como Machadinho, mas foi no Bairro Menino Jesus que aprofundamos nossa convivência e onde aprendi a admirar e respeitar o casal.

Ele funcionário da Prefeitura Municipal, responsável pelos cuidados à Praça Independência e outros serviços que lhe eram atribuídos pela sua chefia, ela somente dona de casa encarregada da criação e educação dos filhos e demais afazeres domésticos.

Outros tantos moradores do Bairro Menino Jesus são  testemunhas incontestes do que afirmo e da vida exemplar desse cidadão como funcionário, como amigo, como pai e como chefe de família, sempre ao lado de sua mulher Lucinda, quem sabe tão ou mais merecedora dos elogios dedicados ao nosso Machadinho.

E em uma vida de tantos sacrifícios, mas de coragem, de abnegação e de uma moral inquebrantável o casal Lucinda-Ervandil (Machadinho) transferiu a todos os filhos uma educação primorosa que a todos enaltece perante a sociedade da qual fazem parte.

Sou um homem diferente, mas protegido de Deus, pois as pessoas de mais idade sempre gostaram de mim e talvez isso justifique o carinho que o Machado me dispensava, porque, dito por ele, o senhor João, seu pai, apostava que eu seria um grande homem pelo fato de ir descalço para o colégio e em dia de chuva usar um saco de estopa como capa.

O pai do Machadinho muitas vezes me preparava o cavalo para desfilar no 20 de setembro. Talvez venha dai nossa identificação.

O Machadinho era um homem simples, mas determinado, e era o único a me chamar de Macedo. Certo dia os amigos descobriram que estava de aniversário e dei-lhe a melhor camisa que tinha na loja.

Ele desenrolou e disse: “Muito obrigado Macedo, mas não uso camisa de mangas curtas." Foi quando descobrimos que ele não usava camisas de mangas curtas e quando usava chinelos não abotoava os punhos da bombacha.

Educado e solicito sempre teve o respeito do Nilo Dias, do Carlos Alberto Moreira, do Sérgio Brasil, do Tadeu Nagipe, do Lázaro Gomes e de todos quantos participavam de nossos churrascos no Bairro Menino Jesus, quase sempre na Mercearia do Tamica.

E se o Machado e a Lucinda conseguiram, sem roubar, sustentar e educar seus oito filhos e formá-los como verdadeiros cidadãos, muitos outros simplesmente não o fazem porque não querem.

E neste momento em que lembro dos nossos, quero estender este reconhecimento a tantos outros pais que na mesma situação do casal Lucinda-Ervandil são os heróis anônimos que constroem as coisas boas que essa estupida sociedade de consumo tenta a todo custo destruir. Mas não conseguirá.

Tenho a dizer ao Claudiomiro, ao Valdomiro, à Maria Claudina, à Elizete, à Elizeine, ao Valdemir, à Ângela Maria e ao João Alexandre (em memória) que não esqueçam em nenhum momento que se vocês são ricos, extremamente ricos, é porque seus pais lhes deram vida, alma, educação e respeito.

Preservar os ensinamentos recebidos é eternizar vida de quem os transmitiu.

Ao Ervandil Vieira Machado, nossa saudade, a dona Lucinda de Souza Machado, nosso respeito pela mãe zelosa que é e pela lição de vida. Obrigado.

Até enquanto a censura não me cortar novamente.

Bereci da Rocha Macedo. (Foto: Caderno 7)

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Banda do XV de Novembro

Banda do Colégio XV de Novembro, campeã em Porto Alegre, em 1969. O presidente da Banda era o professor Luiz Gonzaga de Campos Garcia, pai de Vera Fadul, de cuja página no Facebook foi retirada a foto acima.

De acordo com informações do professor Luiz Meneghello, a Banda foi fundada em 1966, sendo paraninfo a Loja Maçonica Rocha Negra Nº1. Era diretor do XV de Novembro, na ocasião, o saudoso professor Hélio de Oliveira Machado.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Dois grandes desportistas

O doutor Dagoberto Focaccia, o decano dos locutores esportivos de São Gabriel, na praia de Torres (RS), em 1982, ao lado do grande desportista e líder do Internacional, de Porto Alegre, o saudoso Frederico Arnaldo Balvé. (Foto: Arquivo de Dagoberto Focaccia)

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Uma admirável amizade de muitos anos

O conhecido empresário Luiz Eduardo Assis Brasil, o popular “Secco” é um amigo de muitos anos, que prezo muito. Não só pela colaboração espontânea que sempre prestou ao futebol profissional da cidade, ao tempo em que eu presidia a S.E.R. São Gabriel, e também quando um grupo de desportistas levantou o Grêmio Esportivo Gabrielense. E por muitos outros motivos, destacando o fato de ambos torcermos pelo glorioso Esporte Clube Internacional.

Eu sempre tive uma grande admiração pela Família Assis Brasil. Sabidamente gente de recursos, mas que sempre tratou a todos com imenso respeito e igualdade, não dando a mínima importância para eventual riqueza material. Sempre priorizaram a riqueza espiritual, os valores humanos e por isso angariaram a admiração de toda a população gabrielense.

Eu sei bem disso, pois quando morava em São Gabriel e distribuía o jornal “Tribuna do Povo”, semanalmente ia até a “Chácara Juca Tigre”, pois tinha por lá assinantes variados. E muitas vezes fui convidado para saborear um delicioso café da manhã na casa da dona Lina.

Era uma pessoa extremamente bondosa, que deixou saudade naqueles que a conheceram. O mesmo se pode dizer da dona Vera, amiga que sempre me autorizava a pescar junto com o tenente Dutra e o Flávio Lucca, em sua propriedade rural.

E o que dizer do Carlos Dácio? Uma das pessoas mais admiráveis que conheci. Amigo leal e também torcedor do Internacional. A última vez que estive com ele foi quando do lançamento de meu livro “100 anos de futebol em São Gabriel”.

Na ocasião, ele adquiriu dois exemplares, um para ele e outro para enviar ao seu amigo de muitos anos, o grande craque colorado do passado e treinador de sucesso, Cláudio Duarte. Antes, eu participara de um majestoso jantar na residência do “Secco”, quando lá estava o Carlos Dácio, que me brindou com uma cachaça com butiá, que mais parecia um néctar dos Deuses.

E lembro que lá também estava outro grande amigo, que também já nos deixou, o querido Luiz Porciúncula, o “Popô”, que foi o dono da noite ao contar histórias verídicas e engraçadas. Pena que pessoas tão amigas tivessem que partir tão cedo para o outro plano espiritual. Mas fica como consolo a lembrança dos bons momentos vividos juntos. Carlos Dácio e “Popô” certamente continuam bem vivos nas recordações de seus amigos, que foram muitos.

Pois bem, depois dessa introdução, digo que a matéria a seguir, falando sobre Cláudio Duarte foi feita para contar alguma coisa sobre a amizade de muitos anos que une os Assis Brasil ao ex-craque do Internacional, de Porto Alegre. Essa é uma homenagem que faço ao “Secco”, amigo que admiro muito e também em memória de Carlos Dácio.

Devo esclarecer que a ideia não foi minha, sim da Ana Rita. Quem pensa que ela não “mete o bedelho” no jornal está muito enganado. Ela sabe tudo, dá palpites a torto e a direito, está sempre atenta e busca a perfeição a qualquer custo. Claro que isso é difícil de conquistar, mas ela consegue o milagre da aproximação.

Eu não tenho a honra de desfrutar da amizade com o Cláudio, mas me confesso um admirador do grande atleta que foi e sei também, do cidadão probo que é. Embora Cláudio não seja gabrielense de nascimento, foco principal desse meu trabalho para o jornal “O Fato”, contar sua história encontra validade na amizade que tem com Luiz Eduardo Assis Brasil.

O Secco não estava sabendo dessa matéria sobre a amizade dele com o Claudião. Está tomando conhecimento dela somente agora, quando o jornal chega em sua casa, pois é assinante do “O Fato”, o que nos honra muito. Não quis perguntar a ele como essa amizade começou, pois se fizesse isso estragaria a surpresa. E como não sou amigo do Cláudio no Facebook, também não o procurei, até porque corria o risco dele contar ao Secco.

Mas a essa altura do campeonato isso se tornou uma coisa irrelevante. O que importa mesmo é que essa amizade continua até hoje e cada vez mais forte. Com certeza tudo começou pelo fato de todos serem torcedores do Internacional.

UMA CARREIRA VITORIOSA

Cláudio Roberto Pires Duarte, seu nome completo, é natural de São Jerônimo (RS), onde nasceu em 9 de maio de 1951. Jogava como lateral-direito, e fez parte da grande equipe do Internacional, de Porto Alegre, na década de 70, por quem foi campeão gaúcho por seis vezes e bicampeão brasileiro.

Também foi vitorioso treinador e por algum tempo comentarista esportivo da RBS TV, da TV2 Guaíba e da Rádio Guaíba. E ainda fez aparições esporádicas na Band RS e Rádio Grenal. E foi o primeiro presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul.

O início da carreira de Cláudio foi nas divisões de base do Internacional, onde chegou em meados de 1968, com apenas 16 anos de idade. Com 1m84 de altura, dono de boa técnica e muita dedicação dentro de campo, logo se destacou e foi guindado ao time profissional, pelas mãos do técnico Daltro Menezes. O primeiro título alcançou nos Juniores do “Colorado”, o “Gauchão” da categoria, jogando como meio campista.

O titular da posição era Édson Madureira. Mas não demorou para que Cláudio assumisse seu lugar no time. Na época, o grupo montado por Daltro iniciou um período de domínio no futebol gaúcho, ganhando de forma consecutiva os estaduais de 1969 até 1976. A imprensa da época considerava Cláudio um “cintura dura”, devido a sua lentidão. Mas com muito trabalho e dedicação superou o período de criticas, tornando-se um dos mais respeitados laterais direitos de toda a história do clube.

Quando Dino Sani chegou para treinar o Internacional, Cláudio ganhou representatividade e confiança. Depois, com Rubens Minelli foi efetivado como titular durante a campanha vencedora no estadual de 1974. Com o bicampeonato brasileiro de 1975/1976, seu nome foi cotado para o mundial da Argentina em 1978. Porém, problemas de repetidas lesões o impossibilitaram de chegar ao onze “Canarinho”, na época treinado por Cláudio Coutinho, meu conterrâneo de Dom Pedrito.

Como jogador atuou só no Internacional. Como treinador dirigiu as equipes do Internacional, Santa Cruz, de Recife, Bahia, Colorado, do Paraná, Pinheiros, do Paraná, Guarani, de Campinas, São Bento (SP), Juventus (SP), Avaí, Corinthians Paulista, Grêmio, Criciúma, Fluminense, do Rio de Janeiro, Paraná Clube, Coritiba, Juventude, de Caxias do Sul, Gama, do Distrito Federal, Ceará e Brasil, de Pelotas, alguns desses, por mais de uma vez.

Cláudio Duarte foi o lateral-direito da equipe que ganhou o bicampeonato brasileiro. Em 1985, sofreu uma lesão e Valdir Nascimento, que era seu reserva, assumiu a titularidade e não deixou mais a equipe na reta final do Brasileirão. Valdir faleceu no dia 10 de junho deste ano, aos 67 anos, vítima de infarto.

Daquele time também já nos deixaram Vacaria e Caçapava. Em 1986, o time que derrotou o Corinthians no jogo final era este: Manga – Cláudio – Figueroa - Marinho Peres e Vacaria. Caçapava - Falcão e Batista. Valdomiro - Dario e Lula. Técnico: Rubens Minelli.

Uma série de lesões no joelho, iniciadas durante o “Brasileirão” de 1986, e quando se encontrava no auge da forma física e técnica constituíram o início de seu final de carreira. Ao término do ano de 1977, após duas cirurgias no joelho, o departamento médico do Internacional anunciou que ele dificilmente teria possibilidade de prosseguir no futebol. Em março de 1978, Claudio ainda tentava voltar aos gramados, trabalhando firme. E paralelamente, ocupava o posto de auxiliar do técnico Carlos Gainete.

A CARREIRA DE TREINADOR

Com a demissão do treinador, Cláudio assumiu interinamente a direção do plantel, enquanto a Diretoria buscava um novo nome. E deu certo, permanecendo no cargo. E não era de brincadeira, prova disso que foi logo avisando aos seus comandados: “Não vamos ganhar nada de ninguém com uma equipe de “bonecas”. Por isso, vou logo avisando, quem não chegar junto e deixar de cumprir minhas determinações vai sair do time, seja quem for e tenha o nome que tiver”.

Com apenas 26 anos ficou quatro meses no cargo, sendo o treinador mais jovem na história do clube. Foi campeão gaúcho em 1978. E no ano seguinte, quando o Internacional se sagrou tricampeão brasileiro invicto, ele era o supervisor técnico de Ênio Andrade.

Títulos conquistados: Como jogador. Pelo Internacional: Campeão Gaúcho (1971, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1976); Campeão Brasileiro (1975 e 1976); Como treinador. Internacional: Campeão Gaúcho (1978, 1981, 1991 e 1994); Grêmio: Campeão Gaúcho (1989) e Copa do Brasil (1989) e Gama: Campeão Brasilense (2001).

No início de 2009 ele foi convidado para treinar o Brasil, de Pelotas, no Campeonato Gaúcho, em substituição a Armando Dessessards que, à época, se recuperava do acidente de ônibus que provocou a morte de três pessoas da delegação do time pelotense, em uma estrada do Rio Grande do Sul, na altura de Canguçu. Cláudio, num ato de grandeza e solidariedade, nada cobrou pelo seu trabalho.

Mas voltando a falar da amizade de Cláudio com os Assis Brasil, recentemente ele ganhou do “Secco” alguns “pomelos” uruguaios, uma fruta cítrica também chamada de laranja-natal. Com ela se faz um doce maravilhoso.

Sei disso, pois quando eu morava em São Gabriel tinha uma senhora perto da minha casa, que guardava um pé dessa fruta no seu quintal. E seguidamente me presenteava com alguns frutos, com os quais eu fazia doces deliciosos.

O Cláudio, pelo que sei é um excelente cozinheiro, enveredando por receitas salgadas e doces. E já teve a oportunidade de mostrar seus dotes culinários, quando de visitas a Chácara Juca Tigre ou a Estância Tejupá. E recentemente nos surpreendeu, ao mostrar no programa da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, “Confraria do Pedro Ernesto”, que é também um bom cantor, dono de bonita voz.

Muitas vezes o Cláudio manda para o Secco, algumas receitas que parecem inacreditáveis de serem feitas. É o caso do “Frango na latinha da cerveja”, que Secco sugeriu que enviasse “para um hospício ou penitenciária, que os loucos e os presos iriam mata-lo“. E o Cláudio não se limita a recomendar somente receitas. Envereda por outros caminhos, como mandando a planta de uma mesa rotativa para varanda, sugerindo que o amigo comum, Bojo Bérgamo tentasse construí-la.

E Secco arrisca dizer que até Deus duvida que o Bojo seja capaz de fazer uma igualzinha, tal a sua complexidade. Receitas e invenções a parte, o que importa é que essa amizade é sincera e verdadeira. Mas ainda tenho vontade de saber como tudo isso começou. Tenham certeza, um dia vou saber. (Texto e pesquisa: Nilo Dias - Publicdo no jornal "O Fato", de São Gabriel-RS, na edição de 8 de novembro de 2017)


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

"Reclames" de antigamente

No Brasil de antes de abolição da escravatura, os anúncios publicitários eram chamados de "reclames". Só que no Brasil a palavra caiu em desuso, pelo seu duplo sentido -- porque parece chato alguém reclamar que você vá preferir comprar na loja dele.

Os "reclames" abaixo, de firmas comerciais de São Gabriel, foram publicados no "Almanak Laemmert  Administrativo Mercantil e Industrial RJ".

O “Almanaque Laemmer”, como é conhecido, é considerado o primeiro almanaque publicado no Brasil. Editado no Rio de Janeiro, entre 1844 e 1889, pelos irmãos Eduard e Heinrich Laemmert. Mas autores argumentam que o “Almanaque da Bahia” seja o mais antigo.

Originários da cidade alemã de Rosenberg, no Grão-Ducado de Baden, os irmãos Laemmert fundaram a Livraria Universal e a Tipografia Laemmert, pioneira no mercado tipográfico brasileiro.

Com textos sobre a corte brasileira, os ministérios e a legislação imperial, para além de dados censitários e até propagandas, o “Almanaque Laemmert” tornou-se fonte fundamental para a compreensão do cotidiano brasileiro do século retrasado.

Atualmente, o acervo do Almanaque, que conta com 46 edições e com cerca de 55 mil imagens, foi disponibilizado pela Fundação Biblioteca Nacional, por meio de seu sítio na Internet.






quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Passeando em Azevedo Sodré

Estância muito antiga. (Foto: Magro Borin)

EStrada de ferro, tomada por capim. (Foto: Magro Borin)

Igreja em Azevedo Sodré. (Foto: Magro Borin)

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Grêmio tradicionalista

Galpão Tradicionalista do Grêmio Portoalegrense no Parque Tradicionalista Municipal Rincão das Carretas. (Foto: Júlio César Moreira)

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Maravilhas da Natureza

Por do sol na Estância do Inhatium. (Foto: Arquivo de Ana Paula Greca)
*Minha querida Unidade, o 6º BE Comb., onde fui cabo do destacamento precursor quando da movimentação de Porto Alegre para São Gabriel, a  "Terra dos Marechais"!

De São Gabriel requeri e fui transferido para a Amazônia onde servi no 5º BE Cnst. Depois de cerca de 10 anos na Amazonia fazendo estrada e inclusive a Rodovia Transamazônica, por motivo de saúde de familiar, movimentei-me para Porto Alegre onde servi no BLog, estabelecido no mesmo local do 6º BE Comb.

Depois fui transferido para o 3º Btl. de Suprimento e após uma enfermidade, fui reformado na graduação que estava, de 3º Sgt. Juruna, ou seja, do Quadro Especial e daí, continuando meus estudos, minha saudável teimosia, que lá no 5º BEC me deu o apelido carinhoso de "Cabo Doutor".

Esta, uma pequena parte de minha vida, meus amigos! Hoje, aos 72 anos e quatro meses, sou advogado militante OAB/SC 9506, em Florianópolis - SC.

Grato, Dr. Osmar Elias de Oliveira

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

João Goulart em São Gabriel

A imagem é de 29 de outubro de 1957, quando da visita do vice-presidente da República, João Goulart à Cooperativa Rural Gabrielense, e marca a assinatura de documentos para repasse de recursos federais à expansão do frigorífico.

O vice-presidente da República está sentado e, da direita para a esquerda de Goulart, estão Dácio de Assis Brasil (então presidente da Cooperativa), Juraci Cunha Gonçalves (prefeito municipal pelo PTB), sendo que ambos, depois de formarem-se em Medicina e trabalharem como médicos durante um tempo, abandonaram as profissões e dedicaram-se às suas estâncias e à política.

Por último, Amarílio Vieira de Macedo, professor da Escola de Medicina de Porto Alegre. Todos eram filhos de estancieiros e também estancieiros, com curso superior e exerceram atividades remuneradoras que não apenas a propriedade da terra. (Foto: Livro "Cooperativa Rural Gabrielense Ltda: 50 anos de história", de autoria do historiador Osório Santana Figueiredo)

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Dois momentos de Maria da Graça Cunha

Maria da Graça Cunha está sempre presente em momentos importantes da vida da cidade. Já presidiu a Associação Cultural Alcides Maya (ACAM) e participa de praticamente todas as ações de cunho social que se realizam na cidade.

Visitando sua página no Facebook encontrei essas duas fotos que se constituem em verdadeiras relíquias. Registram dois momentos importantes de sua vida. No Baile da Saudade, pena que não tenho o ano. E Rainha do Carnaval do Clube Comercial, em 1968.



quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Herói da Revolução de 1923

Anselmo Vaz herói da Revolução de 1923, no Rio Grande do Sul, foi morto no combate do Arroio Santa Maria Chico em 15 de maio de 1923. Era civil, mas ao aderir a rebelião, assumiu o posto de capitão, no 2º Esquadrão de Lanceiros da 3ª Divisão do Exército Libertador (Maragatos), na tentativa de depor o governo de Borges de Medeiros, que derrotado na eleição, recusava a ideia de entregar o cargo. 

Anselmo lutou ao lado do irmão Lentino, dos sobrinhos Alberto na condição de sargento, do soldado Inocêncio e do filho Alfredo com 17 anos. Este filho vira o pai morto logo em seguida a tocaia em cima do pelotão do pai lanceiro, em Dom Pedrito as margens do Arroio Santa Maria Chico. 

Anselmo era filho de Aniceto e Maria Leocadia. Segundo tradição oral da familia nasceu no Uruguai, veio na infância para São Gabriel, onde casou-se em primeiras núpcias com Maria Candida Vaz, com quem teve a filha Morena. 

Do segundo casamento realizado em 31 de agosto de 1898, com a concunhada e viúva Honorina Miranda, tiveram cinco filhos: Rosa, Lola, Zilda, Alfredo e Anselmo. A familia morava no distrito de Campo Seco. Após a morte de Anselmo, rumaram para o Passo do Ivo.

Flagrante histórico da revolução de 1923 em Dom Pedrito, no passo do rio Santa Maria Chico momentos antes do combate quando foram atacados de surpresa por Flores da Cunha e Nepomuceno Saraiva. Foi nesse combate que morreu Anselmo Bernardino Vaz. (Foto publicada no blog "Fotos Antigas do Rio Grande do Sul". Cortesia da professora Ana Regina Fernandes Antunes).


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Uma verdadeira reliquia

Se alguma foto é reliquia de verdade, com certeza esta é uma delas, do time da Secretaria Municipal da Fazenda, durante o Torneio de Futsal Intersecretarias, disputado em 1979, portanto há 38 anos atrás. Está postada na página do amigo José Portin, no Facebook. 

O Fabiano Brito era quase um guri, o saudoso Caboclo, grande jogador de futebol do passado e extraordinária figura humana, o saudoso Valandro Fagundes Ferreira e o Tédi, que foi meu vizinho na Francisco Hermenegildo. Não sabia que tinha jogado futebol. E ainda Luiz Antônio, Gorô, Leão, Rubinho, Armando e Chiquinho. Um timaço.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Festa no Galpão Colorado

Ainda não tive o prazer de conhecer o "Galpão Colorado", que fica no Parque "Rincão das Carretas". Os amigos já me disseram que é o lugar mais frequentado de lá, sempre com música ao vivo e o melhor da culinária gaúcha.














quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O caudilho Aparício Saraiva

Já escrevi para o jornal “O Fato” matérias sobre o conturbado período vivenciado no Rio Grande do Sul e no Uruguai, que vai de 1893 a 1904. Mas não contei a história de um dos grandes vultos revolucionários que foi o caudilho Aparício Saraiva. Essa lacuna eu a preencho agora.

Aparício Saraiva era uruguaio, nascido no dia 16 de agosto de 1856, em Santa Clara de Olimar, à época pertencente ao departamento de Cerro Largo e hoje ao departamento de Treita y Tres.

Seu pai, Francisco Saraiva era brasileiro. O seu sobrenome se castelhanizou como Saravia. Era um homem rico, dono de uma estância localizada na Cuchilla Grande, a cinco quilômetros ao Norte de Santa Clara de Olimar.

Seu pai havia lutado na Guerra dos Farrapos, mudou-se para o Uruguai em busca de uma vida melhor, estabelecendo-se em Cerro Largo, e lá fez fortuna. Foi, com certeza, um dos homens mais ricos do país naquela época.

Aparício foi o quarto filho de treze de Francisco Saraiva e Propícia, cujo nome foi castelhanizado para Pulpicia da Rosa. Desses, apenas Gumercindo, que era o mais velho e Basilício, foram registrados como brasileiros.

Antônio Florício (Chiquito), Aparício, José, Camilo, Francisco, Juana, Amélia, Mariana, Timóteo, Teresa e Sensata eram castelhanos. Francisco e Provincia queriam que Gumercindo e Aparício fosse médicos ou advogados.

E para isso os matricularam no Colégio de Montero Vidaurreta, em Montevidéu. Mas os dois logo se aborreceram e aproveitaram a primeira oportunidade para escapar da escola.

Ao alvorecer de janeiro de 1893, Aparício deixou a casa dos pais e foi juntar-se com seu irmão Gumercindo, batizado no Brasil, que se encontrava acampado nos cerros de Aceguá, em território uruguaio, comandando uma tropa de 400 homens, na maioria brasileiros.

Quase todos usavam lenços vermelhos, menos Aparício e Gumercindo. Isso se devia ao fato de ambos pertenceram ao Partido Nacional, os “blancos”.

E o vermelho lembrava os antigos inimigos. Os dois irmãos, ao que parece, professavam um respeito sagrado aos símbolos. Não importava que a guerra fosse em outro país, por outros motivos, talvez por outras idéias.

Em 2 de fevereiro de 1893, uma primeira coluna chefiada por Gumercindo, entrou em território brasileiro. Depois adentrou outra, esta comandada por Aparício.

Foi ai que teve início a Revolução Federalista que envolveu todo o Sul do Brasil e que notabilizou os irmãos Gumercindo e Aparício. Depois que Gumercindo morreu, em 1894, Aparício foi designado general das tropas federalistas.

UMA IDENTIDADE COMUM

É importante entender que o Rio Grande do Sul e o Uruguai foram estruturados em uma região na qual se reconhece uma identidade comum, desde os primórdios, não pelo espaço que ocupam, mas pela história que as une.

Foi nesse cenário que surgiu a figura de Aparício Saraiva, intervindo de um lado e de outro da fronteira em momentos específicos de conturbação política.

Durante a Revolução de 1893, as ligações de um grupo de rio-grandenses – os federalistas - com uma facção política uruguaia – os blancos -, causou um enorme constrangimento internacional e gerou uma crise significativa no relacionamento diplomático.

A revolução que eclodiu no dia 2 de fevereiro de 1893 impressionou pelo grande número de uruguaios ligados ao Partido Blanco, que estavam enfileirados juntos aos federalistas, que entraram em guerra contra o governo de Júlio de Castilhos.

Sabe-se que além das identificações fronteiriças em nível sócio cultural e econômico, um componente fundamental representado pela posição do Partido Blanco na cena política uruguaia no início da década de 1890, foi a eleição do colorado Julio Herrera y Obes para a presidência da República, em março de 1890.

Em promessa de campanha ofereceu uma participação aos blancos, com o domínio político sobre alguns departamentos e a participação dos partidos no ministério. Porém, o mesmo cuidado não foi tomado em relação à nomeação dos governos departamentais, as chamadas chefaturas.

Os blancos deveriam receber quatro chefaturas, mas Herrera só deu três, Cerro Largo, Treinta y Tres e Flores, diminuindo o grau prometido de participação do partido na política do país. Por isso não restou aos blancos outra solução que não fosse dada pela via revolucionária.

SITUAÇÕES IDÊNTICAS

Guardadas as proporções, pode-se dizer que os federalistas, em 1893, abriram um ciclo revolucionário que se parecia com os uruguaios, que partilhavam a mesma zona de fronteira. Em síntese, federalistas gaúchos e blancos uruguaios, encontravam-se quase na mesma situação.

O apelo à violência revolucionária foi o liame unificador entre os federalistas de Gaspar Silveira Martins e os blancos de Aparício Saraiva. Não se tratava tão somente de um assalto ao poder. O cerne dessas revoluções era o dilema centrado na impossibilidade da disputa política.

Pelo lado federalista, veremos a perseguição que lhes foi impingida por um governo despótico, que se adonou do poder através de um golpe, em 1892, e que, a partir daí, desencadeou uma perseguição sem trégua à oposição.

Por sua vez, o Uruguai encontrava-se dividido em dois grandes feudos: o governo blanco, instalado no departamento de Cerro Largo, e o governo instalado em Montevidéu, ao redor do qual gravitavam os negócios da cidade-porto.

Durante a revolução de 1893, a aliança entre federalistas e blancos contou com a decisiva atuação de Gumercindo Saraiva, que desempenhou o papel de elo entre os revolucionários rio-grandenses e blancos uruguaios.

Não são muitas as referências bibliográficas sobre Gumercindo Saraiva, tanto por parte da historiografia brasileira quanto pela uruguaia.

É provável que, em virtude da destacada participação desse personagem na Revolução Federalista, sejam mais freqüentes as menções a ele nas obras que tratam do episódio, as quais, em sua grande maioria, são de autoria de historiadores brasileiros.

Por parte da historiografia uruguaia são ainda mais escassas as fontes bibliográficas a respeito de Gumercindo, dando-se mais evidência à biografia de seu irmão, Aparício.

Discute-se à nacionalidade de Gumercindo Saraiva, se uruguaio ou brasileiro. Parece não haver dúvida quanto ao local de seu batismo, uma vez que, em 1923, foi encontrada sua certidão na Câmara Eclesiástica de Pelotas.

Entretanto, o local de batismo, naquela época, não correspondia necessariamente ao de nascimento, ou seja, em muitos casos, a pessoa nascia no Uruguai e era batizada no Rio Grande do Sul e vice-versa.

Tal situação reafirma que a fronteira gaúcha com o Uruguai não era percebida como divisão de modos e costumes de vida, sendo habitual ser nascido em um lado e ser batizado em outro.

Depreende-se que, fosse a nacionalidade de Gumercindo brasileira, quer fosse oriental, o caudilho parecia sentir-se à vontade tanto num lado como no outro.

Pode-se afirmar que Gumercindo Saraiva não era um estrangeiro no Rio Grande; somente o foi para o pensamento que inspirou a acusação de que aos federalistas haviam se unido bandidos de outras nacionalidades.

Esse foi mais um argumento usado pelo governador Castilhos contra os revolucionários de 1893. As afinidades com esse grupo firmaram-se ainda mais após terem sido apoiados também por seu irmão, Aparício.

UM ELO ENTRE FEDERALISTAS E BLANCOS

Combatendo juntos, encamparam a causa dos federalistas contra Castilhos. Os dois estiveram juntos no sangrento “Combate do Cerro do Ouro”, travado em agosto de 1893 em solo gabrielense.

Mas o mais sangrento de todos os combates aconteceu na atual estação de Hulha Negra, em Bagé, no dia 28 de novembro de 1893, o chamado “Massacre do Ouro Negro”.

Os republicanos, comandados pelo veterano marechal do Exército, Isidoro Fernandes, vitorioso contra Uribe, e Rosas na Guerra do Paraguai, contavam com cerca de 1.500 homens, uma força três vezes menor que os “maragatos”, comandados pelo general Joca Tavares.

Além de ter um número bem inferior de combatentes, os republicanos ainda contavam, para chegar a esse número, com centenas de civis, provenientes de Piratini, Canguçu e Bagé e integrantes do Corpo Provisório da Cavalaria, praticamente sem qualquer experiência em combate.

Após um combate que durou várias horas, já sem munição e água, os republicanos renderam-se, mediante a promessa de um tratamento humanitário. Cerca de 200 já haviam tombado no campo de batalha e outros tantos, todos militares, foram poupados.

Os demais, cerca de 300, todos civis e integrantes do Corpo Provisório da Cavalaria, foram colocados em uma mangueira e degolados, restando-lhes apenas, como consolo, depois de terem a garganta cortada, caminharem até um mato próximo, para morrerem longe de todos.

Esses relatos praticamente dão a medida do que aconteceu nos demais combates, alternando-se as vitórias para um e outro lado, mas sempre com massacres, degolas e desmandos, de parte a parte.

Os Saraiva formaram um importante elo entre os federalistas e os blancos, convertendo esses em um fator de reforço importantíssimo para a luta, tanto no que diz respeito às suas investidas no território rio-grandense quanto no que se refere a infraestrutura ofertada nos departamentos do norte uruguaio, por eles dominados.

Em todo o caso, o prestígio de Aparício só cresceu. Em 1893 demonstrou sua genialidade como grande estrategista militar. Após o encerramento da Revolução Federalista, apareceria como o grande estrategista político.

A VOLTA DE APARÍCIO AO URUGUAI

Quando o conflito acabou, em 1895, Aparício voltou ao Uruguai, desfrutando de grande prestígio, visto que os jornais de Montevidéu cobriram amplamente os embates.

A volta de Aparício ao seu país foi destacada pela imprensa local. Nessa ocasião um redator do diário “La Razón” de Montevidéu, fez uma entrevista com o caudilho na qual ele afirmava que não pensava mais em envolver-se em revoluções.

Os acontecimentos posteriores encarregaram-se de desmentir Saraiva, provando que não era de todo infundado o rumor corrente desde os idos de 1893, que atribuía parte de seu envolvimento na guerra civil rio-grandense, ao lado do irmão Gumercindo, a um grande ensaio para sua estréia como condutor dos sucessos políticos em sua terra.

Em seu país teve destacada atuação, tanto militar como política, pelo Partido Blanco em disputas internas, tornando-se o líder maior de seu partido e eminência parda no governo blanco uruguaio. Recebeu o apelido de “Aquila Branca” (Águia Branca), por usar, quando em combate, um pala branco.

Comandou a Revolução Blanca, no Uruguai, também chamada de “Revolucion de las Lanzas”, em 1897, que terminou com a assinatura da “Paz de Abril”, com a existência de dois governos: Cuestas, colorado, em Montevideu e um blanco, com Aparício Saraiva em El Cordobes.

Depois comandou a Guerra de 1904, no Uruguai, contra o governo de Montevidéu. A “Batalha de Masoller”, a última da guerra, travada na localidade do mesmo nome, terminou com a debandada das tropas saraivistas após um grave ferimento de Aparício.

A luta foi desigual. Os governistas tinham armamentos modernos. E Aparício, ao expor-se cavalgando em frente a suas fileiras, foi alvejado por uma arma Mauser.

Ferido, foi levado para a estância de dona Luiza Pereira, mãe de João Francisco Pereira de Souza, seu inimigo na Revolução Federalista, que ficava a cinco quilômetros da fronteira com o Uruguai.

Neste local, que hoje é área rural de Santana do Livramento, Aparício morreu no dia 10 de setembro de 1904, devido a complicações de perfuração abdominal.

Ele foi sepultado no Panteón da Família Pereira de Souza, na cidade de Santana do Livramento. Em 1921, 17 anos depois da morte, seus restos foram reclamados pelo povo uruguaio e levados para “Rincón de Artigas”, hoje também área do município de Santana do Livramento. E em 12 de janeiro do mesmo ano, ao cemitério de Buceo, em Montevidéu.

POLÍTICOS LEGENDÁRIOS

Aparício foi o último representante de uma era de políticos legendários de estampa gauchesca no Uruguai. Com ele, findou um ciclo revolucionário, que começou com a Revolução Federalista de 1893 no Sul do Brasil, passou pelo conflito Blanco em 1897, no Uruguai e culminou na Guerra de 1904.

É atribuída a Aparício Saraiva a frase: “Prefiro deixar meus filhos pobres com uma pátria, do que ricos sem ela”.

Aparício Saraiva e Gumercindo Saraiva eram irmãos e tinham propriedades no Brasil e no Uruguai. Ambos foram importantes para a história do Rio Grande do Sul.

Gumercindo foi morto na Revolução de 93 e está sepultado em Santa Vitória do Palmar. Já Aparício, que foi registrado no Uruguai, está sepultado lá. Eram homens muito ativos, com espírito de guerreiros.

Em novembro de 2011, faleceu em Curitiba (PR), Oscar Cecílio Saraiva, 83 anos, filho de Aparício Saraiva e Ida Nemtz Saraiva.

Na etapa revolucionária de 1893 a 1904 Aparício Saraiva foi o grande condutor dos conflitos políticos na fronteira. No que tange à conexão com os federalistas, foi grande estrategista militar responsável pela longa duração do conflito, ao assumir o lugar de seu irmão Gumercindo, após a morte deste.

Tendo sido os acontecimentos no Rio Grande o palco para seu grande ensaio, é certo que Aparício tornou-se a partir de seu retorno ao Uruguai o líder incontestável dos blancos da fronteira norte.

Dali liderou os levantes que atormentaram a república vizinha por quase uma década, assombrando as autoridades de Montevidéu. (Pesquisa: Nilo Dias - Publicada no jornal "O Fato", de São Gabriel-RS em 25/10/2017)) 


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Cavalgada da Integração em São Gabriel

De 6 a 8 deste mês pasou por São Gabriel a chamada "Cavalgada da Integração", promovidapelo "Grupo Tradicionaista de Cavalgadas Sepé Tiaraju" e "Confraria dos Cavaleiros da Paz", entidade que já realizou cavalgadas em diversos países.

A cavalgada já percorreu lugares como Cidade do México, Santiago de Compostela, na Espanha, Chile, China e Mongólia. E desta vez visitou o "Monumento da Batalha do Caiboaté", que se constitui em uma grande cruz de cimento, que marca o local de um dos mais sangrentos combates da Guerra Guaranítica, ocorrida em 10 de fevereiro de 1756, quando tropas da Espanha e de Portugal exterminaram 1,6 mil índios guaranis.

Os cavalarianos visitaram também o Museu da Igreja do Galo e a Sanga da Bica – reserva histórica que guarda o local do tombamento do corregedor guarani José Tiarajú, conhecido como Sepé. O grupo foi recebido no "Parque Tradicionalista Rincão das Carretas" por autoridades municipais. (Fonte e foto: Jornal "Diário de Santa Maria")

Cavalarianos visitaram o monumento da "Batalha do Caiboate".

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Brotos dos anos 1970

Rita Fária Corrêa, Ana Norberto Bento, Malila Simonetto, Lulu Abreu Mader e Márcia Moniz de Carvalho, desfilando beleza no "Baile Catálogo de Britos", na década de 1970. (Foto: Arquivo de Ana Norberto)

domingo, 22 de outubro de 2017

Os 55 anos de uma feliz união

O casal amigo Ana Maria e Dagoberto Focaccia comemoraram ontem, dia 21, nada menos do que 55 anos de uma feliz união. A foto acima registra o momento em que ambos trocaram alianças e disseram o sim, que proporcionou a vinda ao mundo de Ana Rita, Ana Marta e André. (Foto: Arquivo de Ana Maria Chiappetta Focaccia)

Ana Maria e Dagoberto, 55 anos depois.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Lembrando o "Batalhão Boi de Botas"

Henrique Guatimosim, nascido em 15 de outubro de 1851 foi comandante do batalhão “Boi de Botas”, em São Gabriel. Quando esteve na cidade conheceu Olýmpia Sara Abbot, com quem casou e gerou os filhos: Gil, Diná, Maria Josefina e Henrique Carlos.

Prosseguiu na carreira militar e chegou a marechal do Exército, patente com a qual faleceu em 1º de junho de 1931, na cidade do Rio de Janeiro.

Era filho de José Ferreira da Silva (1805/1869) e dona Custódia da Cunha Ferreira da Silva (1811/13-11-1893), donos da fazenda Monte Formoso, em Cordeiros (RJ), e que ali fizeram vir ao mundo os filhos José Claro, Augusto Guanabara, Belarmino, Brasília e América Brasília.

José, pai, que chegou a tenente-coronel da Guarda Nacional e foi agraciado pelo imperador Pedro I com a medalha da Guerra da Independência (Bahia) e com o título de cavaleiro da Ordem de Cristo, por Pedro II, era conhecido como pândego por seus contemporâneos pelas grandes festas que realizava em sua propriedade.