quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Colorados em Brasília

Domingo passado eu e a Teresinha (minha esposa) visitamos o local onde se realizou o Segundo Churrasco Anual do "Grupo Colorados em Brasília", que reíne mais de 800 torcedores do Internacional na capital brasileira. Por outros compromissos assumidos, não ficamos na festa.

O evento aconteceu na 208 Norte, em um terreno ao lado do Posto de Gasolina do local. Conhecemos muita gente, entre elas um sobrinho do grande compositor gaúcho, Lupicínio Rodrigues.

Eu aproveitei para comprar uma camiseta especial do Grupo, que já usei no domingo, mesmo. Fui informado de que um novo evento está marcado para o dia 13 de janeiro, quando chegará em Brasília o ônibus do Internacional, que estará percorrendo o Brasil de ponta a ponta.

Sabe-se que estarão no ônibus os ex-jogadores Índio e Fabiano Hu. Ainda não se sabe se os colorados do ônibus serão recepcionados com churrasco ou feijoada. E nem mesmo o local onde acontecerá a festa foi definido. Oportunamente informarei.

A foto foi tirada antes do evento ter início. Sou o segundo da esquerda para a direita, de camiseta branca. Ao meu lado a Teresinha. O penúltimo é o sobrinho de Lupicínio Rodrigues, também de camisa branca.

No áuge da festa.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Programa Domingo Alegre

Nos bons tempos do auditório, a Rádio São Gabriel levava ao ar o programa "Domingo Alegre", criado e apresentadopelo saudoso radialista Glauco Fernando. O programa tinha o patrocínio exclusivo da "Casa Azul", tradicional loja da cidade. E o auditório lotava completamente. 

Glauco Fernando, criador do programa "Domingo Alegre". (Fonte e foto: "Revista do Globo", arquivo de Paulo Roberto Neves Barboza)

Conjunto Piratini, que participava do programa "Domingo Alegre", patrocinado pela "Casa Azul". (Fonte e foto: "Revista do Globo", arquivo de Paulo Roberto Neves Barboza)

Vista do auditório da Rádio São Gabriel durante o programa"Domingo Alegre". (Fonte e foto: "Revista do Globo", arquivo de Paulo Roberto Neves Barboza)

domingo, 10 de dezembro de 2017

A charqueada de Sodré

Essa charqueada já existia no ano de 1898. Quando foi fundada a charqueada só existia no local a Estação Ferroviária. Foi construída por Ramão Lopes da Rosa, considerado na época um homem humanitário. Era chamado de Dr. Ramão.

Depois de enfrentar muitas dificuldades econômicas, Ramão teve de vende-la a Antônio Cândido da Silveira (Tunuca Silveira) que viveu excelente momento econômico chegando ao auge de produção.

A crise de 1929 fez com que a Charqueada do Azevedo Sodré entrasse em colapso, chegando em 1935 a ser Cooperativa Rural Gabrielense. Encerrou suas atividades em 1940. Da velha charqueada restou apenas vestígios, hoje quase desaparecidos. (Fonte e foto: Prefeitura Municipal de São Gabriel)

sábado, 9 de dezembro de 2017

Amigo de verdade

No último dia 27 de setembro, um cão fez vigília em frente a porta de acesso ao Pronto Atendimento 24 Horas do Hospital de Santa Casa de Caridade de São Gabriel, enquanto o seu dono, um morador de rua, permaneceu internado em observação.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o homem foi identificado como sendo Luis Carlos Ipe da Silva, de 53 anos. Ele passou mal em via pública e teve que ser encaminhado às pressas para o hospital.

Um detalhe. A equipe que atendeu ao chamado conta que só conseguiu sair do local (na Rua Duque de Caxias, próximo ao Clube Caixeiral), depois que o cão entrou para dentro da ambulância e ficou ao lado do dono. A situação chamou a atenção dos bombeiros Umpierre e Fátima, por se tratar de um fato inusitado, mas bem normal em se tratando da dedicação dos animais com seus criadores.

Ele bem que tentou entrar junto com o dono no hospital, mas lá, ele foi barrado. Mas pensam que ele foi embora? Não. O cão chamou ainda mais atenção ao permanecer parado, em frente ao hospital, aguardando a liberação de Luis Carlos.

Há alguns anos, um fato semelhante aconteceu. Só que triste. O Corpo de Bombeiros foi chamado para atender uma ocorrência na zona sul da cidade. No local, um senhor idoso estava morto em meio a vegetação. Ao lado dele, o cão companheiro, que resistiu por vários minutos impedindo que estranhos chegassem até o corpo do dono. Segundo os bombeiros, ele estava tentando proteger o dono. (Fonte: Jornal "A Notícia", de São Gabriel)



sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Um exemplo de honra e dignidade

O doutor Eglon Meyer Corrêa era filho do casal Fernando Barbosa Corrêa e Gilda Jouclá Meyer. Irmão de Ayrton Meyer Corrêa e Alda Maria Meyer Corrêa, Eglon nasceu em São Gabriel e casou com Loiva Maria de Macedo Souto, filha de Romeu Saldanha Souto e Loiva Goulart de Macedo.

O doutor Eglon Meyer Corrêa foi alguém muito especial na minha vida. Tive a oportunidade de trabalhar como seu assessor de imprensa, no tempo em que ele foi prefeito de São Gabriel.

O chefe de família, o médico e o homem já sabia das qualidades. Fiquei conhecendo o político. Coisa rara nos tempos modernos. Pautou sua vida pública pela honra e a dignidade.

Partiu desta vida com as mãos limpas, exemplo para as gerações futuras, que hoje convivem com um país absurdamente corrupto.

Este mundo é pródigo em fazer coisas incríveis. O doutor Eglon foi em minha vida e de meus familiares, quase um segundo pai. Em momentos de dificuldades que enfrentamos ele esteve sempre do lado, nunca negando o seu apoio.

Mas não fui seu eleitor. Quando na eleição em que concorreu como vice de Balbo Teixeira, ainda não morávamos em São Gabriel. Quando concorreu e ganhou para prefeito nosso apoio foi para o doutor Erasmo Chiappetta.

Quando foi vice de Rossano, eu já estava em Brasília. Mas nada disso impediu que eu fosse seu assessor de imprensa, quando ele era prefeito de São Gabriel.     

A última vez que vi o doutor Eglon foi no segundo turno das eleições presidenciais de 2002. Eu o encontrei na esquina do Clube Caixeiral e logo a roda foi aumentando com a chegada do hoje saudoso amigo doutor Nolan Scipioni, Bereci Macedo, Jaiminho Marques Carneiro, de saudosa memória e outros que não recordo.

Em maio de 2003 estive outra vez em São Gabriel. Num domingo pela manhã fui na sua casa e lamentei não ter encontrado ninguém.

Depois recebi com imensa tristeza a notícia de sua partida. Quis o destino que fosse num dia 7 de Setembro, data em que os brasileiros reverenciam sua Pátria. Parece até que foi a Pátria que quis reverenciar um ilustre filho que deixa como legado a nobreza de seus atos.

UMA GRANDE MULHER

O ditado que ao lado de um grande homem sempre existe uma grande mulher foi plenamente confirmado na vida do doutor Eglon. Dona Loivinha foi a esposa amada, a companheira de todas as horas, a mãe afável. 

O doutor Eglon pautou sua administração como prefeito de São Gabriel por importantes iniciativas. A cultura mereceu dele atenção especial.

Trouxe para a cidade o Museu Gaúcho da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que guarda um importante acervo histórico a respeito do segundo conflito mundial, que foi doado pela Associação dos Veteranos da FEB ao povo de São Gabriel.

O Museu Gaúcho da FEB foi criado em Porto Alegre no dia 12 de janeiro de 1978 pelo tenente Fabiano Antônio Reginatto, veterano da 2ª Guerra Mundial, num prédio cedido pelo Exército, na avenida João Pessoa.

Em 27 de junho de 1981, após a morte do tenente Reginato, passou à responsabilidade da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira de Porto Alegre (ANVFEB - PA).

Devido a vários fatores, o museu não mais ficaria em Porto Alegre e, através da aprovação pela Associação de Veteranos da FEB, na época presidida pelo tenente José Conrado de Souza, o museu foi doado a São Gabriel, especialmente por ser berço do comandante da FEB Marechal Mascarenhas de Moraes.

O Museu Gaúcho da Força Expedicionária Brasileira é constituído de um acervo temático e possui um farto material de fotos, documentos, armamento entre outras relíquias que fizeram parte do cenário da Segunda Guerra Mundial.

Não é à toa que o Museu Gaúcho da FEB, Marechal Mascarenhas de Moraes foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (UNESCO) por ter o maior acervo da América Latina sobre a Força Expedicionária Brasileira (FEB).

A instalação do museu em São Gabriel ocorreu em 20 de novembro de 1992, estando até hoje instalado no prédio da antiga Estação da Viação Férrea, cedido pela Rede Ferroviária Federal.

Em julho de 2003, o acervo foi retirado para reformas no prédio e mantido nas unidades militares do município, especialmente por questões de segurança. O acervo retornou em março de 2004, quando o Museu foi reaberto ao público.

SANGA DA BICA

Em 27 de março de 1991 o doutor Eglon sancionou o Projeto de Lei de autoria do então vereador Caio Rocha, tornando a Sanga da Bica patrimônio Ecológico do Município.

Isso, depois que no final dos anos 80 a sanga recebeu atenção especial das professoras e biólogas Lurdes Zanchetta da Rosa e Jaci Rosa, que realizaram vários estudos em relação à vegetação nativa do local.

E foi graças a esse trabalho que Caio Rocha, apresentou projeto ao prefeito, ampliando a importância da Sanga da Bica, que já era relevante, pois próximo a ela tombou o índio-herói Sepé Tiaraju.

A Sanga da Bica está localizada a 300 metros da praça Fernando Abbott, em propriedade da Família Assis Brasil em área geográfica de 56.800m2 de mata nativa particularmente preservada.

Dispõe de grande diversidade de plantas exóticas e nativas e principalmente ervas medicinais como “Açoita Cavalo”, “Pata de Vaca”, “Chá de Bugre” e “Araticum”.

O meio-ambiente também mereceu grande atenção do prefeito Eglon, que criou um aterro sanitário próprio, localizado nas proximidades do Trevo de acesso ao Bairro Universitário, em direção a Rosário do Sul pela BR 290, a três quilômetros da sede do município.

A ideia do prefeito era reduzir os impactos à saúde humana, como a contaminação das águas subterrâneas; contaminação dos mananciais superficiais; proliferação de micro e macro vetores; geração de maus odores; espalhamento de resíduos urbanos pela ação dos ventos e aspecto visual desfavorável.

O projeto previa a geração de 45 empregos. Lembro que na época chegaram a trabalhar 19 homens e quatro mulheres, totalizando 23 cooperativados, gerando renda com qualidade de vida a população gabrielense.

UM 7 DE SETEMBRO TRISTE

No transcurso do mandato como vice-prefeito, o médico e líder político Eglon Meyer Corrêa morreu no Dia da Independência do Brasil, durante sua recuperação em Pelotas. A notícia pegou a comunidade de surpresa, que se preparava para o desfile da Pátria naquele dia.

Eglon enfrentava um tratamento para complicações cardíacas e faleceu após cirurgia para a troca da válvula mitral do coração. A notícia de sua morte, ocorrida pelas 5 horas da manhã de 7 de setembro de 2004, foi dada pelo radialista José Boaventura Félix, em seu programa "Alvorada Pampeana", e a comunidade começou a externar a dor pela passagem do médico.

O corpo do médico, que foi prefeito entre 1988 e 1992, chegou a São Gabriel na tarde daquele dia. O dia 7 de setembro a partir de então, nunca mais foi igual. Mesmo com a homenagem ao médico e colega Miguel Vinhas Varella em andamento, lembranças a Eglon foram constantes no desfile.

A despedida aconteceu às 20 horas, em um cortejo que percorreu da Prefeitura até a Rua Tristão Pinto, em um silêncio impressionante que só tinha sido visto semelhante na caminhada em homenagem às vítimas da Kiss, em janeiro.

A campanha política teve uma pausa por três dias, dado o luto por Eglon Corrêa. Ele foi homenageado na Semana da Pátria de 2009. E nesta década de saudade, não se homenageou o médico humanitário e pessoa que foi Eglon Corrêa.

Um projeto de indicação quer homenagear um grande nome da política gabrielense que ainda é lembrado por seus feitos e humanismo.

Em proposição do vereador Caio Rocha (PP), ele solicita que se anexe ao projeto de revitalização da Praça Dr. Fernando Abbott um outro projeto para que se construa um busto em homenagem ao ex-prefeito Eglon Meyer Corrêa, falecido em 2004.

Caio salienta que este pedido é pelo legado deixado por Eglon para o povo de São Gabriel, onde além de ser um ilibado líder político, foi um exemplar médico para a população.

Eglon foi vice-prefeito de São Gabriel de 1982 à 1987, Prefeito de 1988 a 1992 e retornou à política em 1996, conduzindo o PP na vitória que conduziu Rossano Gonçalves à Prefeitura e logo mais tarde, em 2000, quando foi vice dele.

Só deixou o mandato em razão de sua despedida prematura por problemas de saúde, em 7 de setembro de 2004. "O município pode inclusive, viabilizar uma parceria público-privada para esta obra. Pela sua história, ele merece, assim como foi com José Sampaio Marques Luz e Celestino Lopes Cavalheiro, ficar eternizado para a posteridade no coração da cidade", finalizou.

O médico humanitário e político destacado foi imortalizado com o seu nome dado ao Parque Doutor Eglon Meyer Corrêa, localizado no Bairro Jardim Europa

UM VERDADEIRO GENTLEMAN

A maneira que o doutor Eglon tratava as pessoas foi bem exposta pelo amigo professor Beraldo Lopes Figueiredo: “Nunca vou esquecer o dia em que precisei de um médico e fui atendido na hora e não tinha dinheiro para pagar no momento. Depois tentei pagá-lo em vão ele só sorriu e disse: "Se precisar de novo tu vens aqui e paga as duas ..."

Em outra ocasião o mesmo Beraldo escreveu: “Doutor Eglon, pediatra da minha filha e amigo pessoal. Poderiam escrever um livro sobre seus feitos, como sair de festas e eventos para atender seus pacientes, como levantar em noites chuvosas para ir na casa das pessoas, só o que posso fazer agora é desenhá-lo”.

E foi além: “Desenhar o Eglon me fez viajar nas histórias da minha vida, o médico o amigo aquele que sorria fácil, que era positivo, que atendia as pessoas com um carinho especial que vinha até elas, que segurava no meu braço, olhava no olho com aquela mania maravilhosa de tranquilizar pais aflitos, que saia de festas, da sua cama quente, que atendia o telefone de noite, que ia ao encontro do paciente, seus meninos e meninas. Desenhar o médico Eglon para mim foi um prazer inesquecível. Por isso eu coloco ele na moldura”. (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

*Boa tarde Nilo. Não nos conhecemos pessoalmente. Moro em Santa Catarina a 20 anos, mas sou natural de São Gabriel, filho de Renato Antônio de Ávila Rodrigues (conhecido como Renatinho da Caixa Estadual) e Conceição Viedo Rodrigues (conhecida como Vera).  Ambos infelizmente falecidos.

Meu pai considerava o “Tio Bera”, como ele chamava o Bereci, uma pessoa elogiável na postura e conduta dos seus atos. Realmente merece ser reconhecido pela nossa terra.

Grande abraço e continue nos brindando por matérias desta terra tão amável

Meninas de Ouro

As formandas do Curso Ginasial do Colégio Nossa Senhora do Perpétuo Socorro estiveram reunidas no último dia 17 de novembro, para comemoração das "Bodas de Ouro" de tão significativo momento.

Uma pequena, mas comovente programação foi realizada. Às 17h30min aconteceu uma visita à Escola. E às 21 horas jantar no Salão de Pedras do Hotel São Luiz, com a presença de colegas de várias cidades. Na foto de 1967, publicada na página de Carminha Condessa, no Facebook, às formandas do Perpétuo Socorro.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Do Túnel do Tempo

Uma volta ao tempo. Em 2011 os empresários rurais Francisco Chiappetta e Odessa Menna Barreto Petrarca, foram os homenageados pelo Sindicato Rural de São Gabriel.. Ele ganhou o "Troféu Persona" e ela "O Troféu Dona Quin Quin".

domingo, 3 de dezembro de 2017

Nilo Dias em Sobradinho

Embora esta foto aparentemente não tenha nada a ver com São Gabriel, eu a coloco na página pelo fato de eu estar nela. E tenho certeza que eu tenho tudo a ver com São Gabriel. As meninas que aparecem comigo na foto, são amigas que participaram de um movimento tradicionalista da região Centro-Oeste, chamado de "Comitivas". A foto foi tirada no interior do Bar popularmente conhecido como "Do Bigode", que fica bem pertinho da minha casa, em Sobradinho, Distrito Federal.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Lembrando o bom futebol

Time da S.E.R. São Gabriel, num jogo contra o Juventude, de Caxias do Sul, em 1998. Eu era o presidente do clube e estou com as mãos no bolso. Ao meu lado, o diretor de futebol de então, amigo José Lucca.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Gabrielense em visita a terra

César da Luz é filho de São Gabriel e reside há 40 anos em Chapecó-SC. Assina colunas nos jornais “Diário do Iguaçu” e “Folha de Chapecó”. E há 16 anos apresenta na rádio Super Condá AM 610, o programa “Chama Nativa”. Também é pesquisador e palestrante da história e da cultura gaúcha. Durante a “Feira do Livro” deste ano esteve em São Gabriel. (Foto: https://www.facebook.com/cezar.daluz)

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Uma notável educadora



O jornal "A Notícia", de São Gabriel, publicou em sua edição de 12 de maio de 2006, interessante matéria com o título de "Lygia, a "mãenzona" das meninas do Instituto", que reproduzimos em parte, abaixo:

Com brincadeiras, jogos e um sorriso contagiante, a professora Lygia Brenner Teixeira, ultrapassou a barreira do preconceito e conquistou um espaço privilegiado nos corações das crianças do "Instituto São Gabriel - Lar das Meninas". As garotas estavam tão acostumadas com as atividades desenvolvidas pela educadora, que quando não eram realizadas, o dia parecia perder um pouco de brilho.

Ela resgatou jogos antigos como "Cinco Marias", brincadeiras como "bambolê", "bolita", corda e outras.

Formada aos 18 anos de idade, a professora Lygia tem um currículo profisional e assitencial elogiável. Foi fundadora das "Bandeirantes", grupo que ficou conhecido como "Plácido de Castro". Na sua gestão conseguiu adquirir uma sede própria para a entidade.

Essa propriedade acabou sendo doada para o Asilo São João e, até hoje é explorada pela instituição. Lygia foi também vice-presidente da Lihga Feminina de Combate ao Câncer, por oito anos.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Farra com dinheiro público

O amigo Vasco Moreira publicou hoje (28/11) em sua página no Facebook, o seguinte:

"Lendo o diário de Santa Maria edição de 26/11/17 estampada estava esta notícia vergonhosa, sobre diárias de nosos vereadores, com a ressalva que estão tomando providências para mudar a situação.

Será? Quando se olha o portal da transparência verifica-se as altas cifras tiradas por parlamentares em diárias chegando a média de R $ 1.400,00/mês por vereador, com dados até o mês de setembro/2017".


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Baile da Exposição em 1958

Clube Comercial, 29 de outubro de 1958. Corte da Rainha Vera Maria Menna Barreto de Abreu. Baile da Exposição. Em pé, Antônio Carlos Barbosa (Tuca), Luiz Antônio Porciúncula (Popô), Lauro Souto, Bérgalo Azambuja, Marisa Assis Brasil, Irma Alice Souto, Janine Paula, Carmen Lígia Abreu, Carlos Dácio Assis Brasil, João Antonio Neves, Francisco Teixeira (Chico) (Foto de Carlos Dácio Assis Brasil, publicada na coluna “As 10 mais de Dagoberto Focaccia, no jornal “O Fato”)

domingo, 26 de novembro de 2017

Lanceiros Negros, os verdadeiros heróis farroupilhas

Eu me criei ouvindo os maiores elogios aos rio-grandenses que participaram da chamada “Revolução Farroupilha”. Até hoje são chamados de heróis e relembrados com grandes festejos durante a
Semana Farroupilha. E será que todos esses homens foram realmente heróis? É o que vamos ver a seguir.

Desde a minha terra natal, Dom Pedrito, cidade histórica que foi palco do encerramento do maior conflito até hoje realizado em solo brasileiro, acompanhei e muitas vezes até participei desses atos de extremado amor ao Rio Grande do Sul.

Mas passados alguns anos me tornei adulto e passei a me interessar pela história, não só do nosso país, mas especialmente do nosso Estado e ultimamente por São Gabriel, onde me aquerenciei, procurando conhecer seus vultos mais interessantes e fatos notáveis.

Tenho lido muito. E na “Semana Farroupilha” deste ano, não sei explicar por quais razões, mas senti que uma força maior me levou a pensar nos negros gaúchos apelidados de “Lanceiros Negros”, mortos covardemente nos campos de “Porongos”, hoje terceiro distrito do município de Pinheiro Machado (RS).

E fui atrás de detalhes dessa história real. No começo da guerra não se pensava em usar escravos como soldados, para não tirar a mão-de-obra das fazendas, o que prejudicaria seus negócios e lucros.

Logo de cara os “Farrapos” viram que tinham um contingente pequeno em comparação com os “Imperiais”. Por isso, que em 1837 foi criado o “1° Corpo de Lanceiros Negros”, comandado por um branco, Teixeira Nunes, chamado de “Gavião”.

O 1.º Corpo foi recrutado, principalmente, entre os negros campeiros, domadores e tropeiros das charqueadas de Pelotas e dos então municípios de Piratini, Canguçu, Pedro Osório, Pinheiro Machado, Herval, Bagé, até o Pirai e parte de Arroio Grande.

O CORONEL JOAQUIM PEDRO

Tornou-se célebre o “1º Corpo de Lanceiros Negros”, organizado e instruído, inicialmente, pelo coronel Joaquim Pedro, antigo capitão do Exército Imperial, que participou da campanha contra Napoleão Bonaparte, na Guerra Peninsular.

Emigrou para o Brasil em 1816, com a “Divisão de Voluntários Reais”, participando das guerras contra José Gervásio Artigas e da “Batalha do Passo do Rosário”, na “Guerra da Cisplatina”.

Já veterano aderiu à “Revolução Farroupilha”, ficando adstrito às tropas de Antônio de Sousa Neto, de quem foi assessor político e militar. Participou da “Batalha do Seival” e foi um dos que influenciaram Neto a proclamar a “República Rio-Grandense”, junto com Lucas de Oliveira.

Foi preso em Piratini, em 1844, quando já contava 74 anos, junto com o coronel José Mariano de Mattos, em uma sortida imperial, e enviado para o Rio de Janeiro, desconhecendo-se seu destino final.

Ajudou, nesta tarefa, o major Joaquim Teixeira Nunes, veterano e com ação destacada na “Guerra Cisplatina”. Este bravo, à frente do “Corpo de Lanceiros Negros”, libertos, prestaria relevantes serviços militares à República Rio-Grandense.

Foram seus oficiais, entre outros: coronel Joaquim Pedro, coronel Joaquim Teixeira Nunes, tenente Manuel Alves da Silva Caldeira, capitão Vicente Ferrer de Almeida, capitão Marcos de Azambuja Cidade, primeiro-tenente Antônio José Coritiba, segundo-tenente Caetano Gonçalves da Silva (filho de Bento Gonçalves), segundo-tenente Ezequiel Antônio da Silva e segundo-tenente Antônio José Pereira.

OS HÁBEIS LANCEIROS NEGROS

Excelentes combatentes de cavalaria entregavam-se ao combate com grande denodo, por saberem, como verdadeiros filhos da liberdade, que esta, para si, seus irmãos de cor e libertadores, estaria em jogo em cada combate.

Manejavam com grande habilidade suas armas prediletas - as lanças. Estas, por eles usadas eram mais longas do que as comuns. Combinada esta característica, com instrução para o combate e disposição para a luta, foram usados como tropas de choque, coisa hoje reservada às formações de blindados.

Por isto inspiravam grande terror aos adversários. Também usavam armas como adaga ou facão e, em determinadas ocasiões, até armas de fogo.

Como lanceiros não usavam escudos de proteção, uma vez que os seus grosseiros ponchos de lã (bicharás), serviam para isso além de cama, cobertor e agasalho para o frio e chuva.

Quando em combate a cavalo, enrolado no braço esquerdo, o poncho servia-lhes para amortecer ou desviar um golpe de lança ou espada. No corpo a corpo desmontado, servia para aparar ou desviar um golpe de adaga ou espada.

Eram “esgrimistas” habilidosos, em decorrência da prática continuada do “jogo do talho”, nome dado pelo gaúcho à esgrima simulada com faca, adaga ou facão.

Alguns poucos eram hábeis no uso das boleadeiras como arma de guerra, principalmente para abater o inimigo longe do alcance de sua lança, quer em fuga, quer manobrando para obter melhor posição tática.

Eram rústicos e disciplinados. Faziam a guerra à base de recursos locais. Comiam se houvesse alimento e dormiam em qualquer local, tendo como teto os firmamentos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

A maioria montava a cavalo quase que em pelo, a moda “Charrua”. Vale também lembrar que os “Lanceiros Negros” exerciam uma função de tropa de choque no “Exército Farroupilha”, pelo simples fato de manejar com eximia destreza a lança que é uma arma essencial para este tipo de combate.

Seu vestuário era constituído de sandálias de couro cru, chiripá de pano grosseiro, um colete recobrindo o tronco e na cabeça uma “vincha” (braçadeira) vermelha símbolo da República.

Como esporas improvisavam uma forquilha de madeira presa ao pé com tiras de couro cru. Esta espora “Farroupilha” acomodava-se ao calcanhar e possuía a ponta bem afiada.

Alguns poucos usavam calças, cartola e chilenas (esporas). No Museu de Bolonha, na Itália, existe uma pintura que mostra bem como se vestia esse indivíduo.

O herói italiano, Giuseppe Garibaldi, guerreiro que lutou ao lado dos “Farroupilhas”, teria dito nunca ter visto um corpo militar lutar com tanta bravura como os destemidos guerreiros negros do Rio Grande do Sul.

“Eu vi corpos de tropas mais numerosos, batalhas mais disputadas; mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem cavalheiros mais brilhantes que os da bela cavalaria rio-gandense, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações.”

PROMESSAS DE LIBERDADE

Os “Farroupilhas” prometiam dar liberdade aos escravos que batalhassem a seu favor. Ao final de 1844, já há nove anos em conflito, a Província desgastada, a guerra parecia perdida.

A chacina teria sido resultado de um traiçoeiro acordo entre um chefe dos “Farrapos”, general David Canabarro e o comandante do exército imperial, Luís Alves de Lima e Silva, depois condecorado como “Duque de Caxias”.

Essa história é pouco conhecida pela população brasileira, e vem questionar a figura de Canabarro, sempre apresentado como um dos heróis da Revolta pelos historiadores oficiais.

David José Martins, seu nome verdadeiro, o Canabarro foi adicionado mais tarde, nasceu em Taquari (RS). Descendente de açorianos, neto de José Martins Faleiros e Jacinta Rosa, naturais da Ilha Terceira.

Começou a vida de militar na primeira campanha cisplatina de 1811-1812. Para essa campanha deveria seguir o irmão mais velho, Silvério, já então com 18 anos.

Entretanto, auxiliar precioso do pai nas lides campeiras, iria fazer muita falta. E David, contando 15 anos de idade, reconhecendo o fato, solicitou ao pai licença para seguir em lugar do irmão.

Anos mais tarde foi promovido a tenente das forças de Bento Gonçalves na “Guerra da Cisplatina”, de 1825-1828, que culminou com o tratado de paz de agosto de 1828 e a independência do Uruguai.

Lá, teve papel preponderante na ”Batalha de Rincón de las Gallinas”, salvando o exército brasileiro de completo desbarato, o que lhe valeu os galões de tenente efetivo do Exército Nacional.

Na “21ª Brigada de Cavalaria Ligeira” comandada por Bento Gonçalves, ainda na “Guerra da Cisplatina”, assistiu à indecisa “Batalha do Passo do Rosário”, obrando prodígios de valor e de audácia.

Cessada a guerra, voltou ao lar, à vida do campo, mas desta vez associado ao tio Antônio Ferreira Canabarro, na estância fronteiriça de Santana do Livramento. Por volta de 1836, adotou o nome David Canabarro por insistência de seu tio.

Na “Revolução Farroupilha” ou “Guerra dos Farrapos”, inicialmente esteve indiferente. Tendo a ela se juntado tardiamente. Iniciou como tenente, galgou postos e assumiu o comando em junho de 1843, quando Bento Gonçalves, para evitar a cisão entre os republicanos, desligou-se do comando e passou a servir sob as ordens do próprio Canabarro.

A MAIS LONGA DAS GUERRAS

A Revolução Farroupilha foi a mais longa revolta republicana contra o Império escravocrata e centralizador brasileiro. Os grandes e poderosos proprietários de terras gaúchos, sentindo-se desfavorecidos pelas leis federais, principalmente pelos impostos considerados excessivos, entraram em negociações com o governo regencial.

Tais negociações, consideradas insatisfatórias, criaram um crescente estado de tensão até o rompimento definitivo e a declaração de guerra, em 20 de setembro de 1835.

Depois do combate travado em Bagé, conhecido como “a Batalha do Seival”, em que as forças imperiais foram derrotadas, surgiu um movimento político dissidente e separatista.

Com sua radicalização foi proclamada a independência e criada a República Rio-Grandense frente ao Império do Brasil, propondo uma República Federativa às demais províncias que viessem a separar-se do Império e assumissem a forma republicana.

Para lutar por “um país independente” foi necessário juntar as tropas dos generais que aderiram à causa e assim foi formado o “exército farroupilha” liderado pelo general Bento Gonçalves.

Na verdade, os verdadeiros protagonistas dessa luta foram os negros, os índios, os mestiços e os brancos pobres que lutaram de forma abnegada pela recém criada República e por espaços de liberdade, buscando um futuro melhor para si e para os seus.

Entre os generais estava um abolicionista convicto, Antônio de Souza Netto, que não só colocou a libertação dos escravos como um dos “ideais farroupilhas” como propôs a participação dos negros na luta dos farrapos.

Num primeiro momento a idéia foi rejeitada. Porém, em 4 de outubro de 1836”, depois da “Derrota de Fanfa”, em que Bento Gonçalves foi preso e o exército farroupilha teve excessivas baixas, eles não vacilaram em libertar os escravos que, em troca, se engajaram no exército farroupilha. Assim foi criada a unidade militar que ficou conhecida como “Lanceiros Negros”.

A revolta dos “Farroupilhas” seria contra a ditadura, pela justiça na pátria gaúcha. Uma luta republicana, mas que terminou com um estranho armistício assinado somente por David Canabarro, depois da derrota de “Porongos”, quando os “Lanceiros Negros” estavam desarmados e foram massacrados.

Depois de lutarem, durante 10 anos, não por dinheiro ou impostos, mas pela liberdade, no dia 14 de novembro de 1844 foram miseravelmente traídos no mais vergonhoso episódio dessa guerra, conhecido como “O Massacre de Porongos”.

Desarmados, por seu comandante Canabarro, esses homens foram traiçoeiramente entregues a sanha historicamente genocida de Caxias.

Enquanto a barbárie ocorria, Canabarro se divertia com a sua amante a algumas léguas de distância. Foi assinado o armistício, depois chamado de “Paz de Ponche Verde”, e o que restava do exército gaúcho era extinto, enquanto Neto e Bento Gonçalves iam para as suas fazendas no Uruguai.

David Canabarro nasceu a 22 de agosto de 1796 e morreu em 12 de abril de 1867 de gangrena, decorrente de um pequeno ferimento no pé contraído nas lides de sua estância de São Gregório.

Sobre Caxias, não paira nenhuma surpresa, pois sabidamente era um carniceiro. O povo paraguaio que o diga. Ele esteve no Paraguai entre 1864 e 1870, liderando o genocídio de 76% dos habitantes daquele país.

Porém, ainda persiste o mito criado pelas classes dominantes brasileiras e suas Forças Armadas de que Caxias seria "magnânimo na vitória", apesar das evidências no Paraguai e do massacre de “Porongos”.

Como explicar aos brasileiros tamanha covardia e a baixeza moral perpetradas por dois homens, David Canabarro e Duque de Caxias, ambos idolatrados como “heróis” pela historiografia oficial – um deles até considerado “patrono do Exército” – durante a chamada “Revolução Farroupilha?”

Os historiadores oficiais criaram deliberadamente imagens falsas de “Porongos” procurando não macular “seus” heróis. Entretanto, a hediondez dos acontecimentos só permite uma coisa: não a explicação, mas a revelação da verdade, baseada em documentos oficiais que ficaram escondidos por décadas e só recentemente revelados.

A TRAIÇÃO DE DAVID CANABARRO

Naquele tempo o Brasil vivia quase na dependência do capitalismo inglês. O historiador Júlio José Chiavenato, publicou livros que ficaram famosos anos atrás, sobre isso.

No dia 11, a patrulha farrapa do major Polvadeira bateu-se com a vanguarda inimiga, comandada pelo tenente Fidélis, e foi batida. Morreram seis homens.

A irmã do general Antônio de Souza Neto, proprietária de campos nas imediações, mandou avisar que vira soldados de “Moringue” nas proximidades. Canabarro destratou o mensageiro: “Moringue, sentindo a minha catinga, aqui não vem”.

Um prisioneiro dos imperiais foi libertado e voltou para as tropas farroupilhas. Os lanceiros também foram traídos, pois expostos a uma surpresa combinada com o adversário, mas, ao menos, tinham lanças e cavalos. Canabarro fugiu só de cuecas enquanto os negros eram mortos.

O argumento era o medo de que estes se rebelassem. Era bem possível que isso ocorresse, já que o povo em armas não costuma acatar decisões nebulosas da chefia, acordos clandestinos, tudo aquilo que suspeita ser entreguismo.

Se os “Lanceiros Negros” fossem mantidos vivos seria um perigo, uma tocha rebelde acesa a por em xeque as classes dominantes, fossem elas o latifúndio gaúcho ou os capitalistas da monarquia.

E tudo se confirmou. Por volta das duas horas da manhã, as tropas imperiais de Abreu, chamado de “Moringue”, entraram no lugar conhecido como “Porongos”.

O único entrave que existia para o fim da guerra não mais havia. Os negros e brancos pobres que combateram bravamente, doando seu sangue com generosidade, foram traídos e descartados.

No dia 25 de fevereiro de 1845, nos campos de “Ponche Verde” foi assinado um "tratado de paz", mais conhecido por “Tratado de Ponche Verde”, irrelevante na prática.

Caxias não estava presente, nenhum líder imperial assinou, nem o líder farroupilha Bento Gonçalves da Silva compareceu, dizendo estar com gripe.

João Antônio da Silveira, português nascido na freguesia do Estreito em 8 de setembro de 1780, foi um dos quatro que assinaram o ato de paz em Ponche Verde.

Já estava reformado como oficial, aos 55 anos, quando se engajou na revolução farroupilha. Participou de importantes ações militares e tornou-se general do exército rebelde em 1841. Elegeu-se deputado para a Assembleia Constituinte de 42.

Em 4 de outubro de 1835 liderou o ataque vitorioso a São Gabriel com 300 homens, conseguindo que boa parte do regimento de cavalaria imperial, ali estacionado, aderisse à causa republicana.

Em 1838 e 1842 esteve comandando tropas perto de Passo Fundo. Iniciou a guerra como oficial de milícias de 2ª linha, e chegou ao posto de general, comandando a 2ª Divisão do Exército Farroupilha, promovido em 3 de julho de 1841.

Ele foi o quarto e último general da “República Riograndense”. Os outros foram Bento Gonçalves da Silva, Antônio de Souza Netto e David Canabarro.

O general João Manuel de Lima e Silva (tio do Duque de Caxias) foi assassinado em 29 de agosto de 1837 em São Borja. Enquanto isso, o general, Bento Manuel Ribeiro, paulista de Sorocaba, voltava pela segunda vez a servir o império.

Foi eleito deputado para a Constituinte de Alegrete, mas não tomou posse. Foi um dos mais ativos comandantes até o final da guerra, empreendendo diversas vitórias em 1843. Com o final do conflito, voltou às atividades rurais.

Na guerra contra Rosas, foi chamado por Duque de Caxias e assumiu, sob o comando deste, a 12ª Brigada do Exército. Posteriormente, já com 70 anos de idade, comandou uma divisão do Exército Brasileiro na Guerra do Paraguai.

Morreu em São Gabriel aos 92 anos de idade, na mais completa miséria. Na frase de um "chronista" da época: “Não tinha ao morrer, um lençol para mortalha.”

O Tratado de Ponche Verde dizia que "são livres, e como tais reconhecidos, todos os cativos que serviram à revolução". Porém o próprio Bento, símbolo farrapo, depois que morreu em 1847, vítima de uma pleurisia, deixou a seus herdeiros 48 escravos, como prova o seu inventário. A lenda dizia que ele tinha acabado a vida como o “mais pobre dos homens”. É preciso dizer mais alguma coisa?

O DESCONHECIMENTO PREDOMINA

Os tradicionalistas mais fanáticos, não procuram conhecer a história. Preferem os festejos onde o churrasco, a carne gorda e a cachaça não faltam, do que saber que a coisa não foi bem assim.

Só para desanuviar a memória de alguns, basta dizer que em 10 anos de guerra civil, morreram entre 2.900 e 3.400 pessoas, uma média de 300 por ano, menos de uma por dia. Mesmo para a população da época, era mais fácil morrer de gripe.

Praticou-se de tudo: estupros, degolas, saques, apropriações de terras alheias e sequestros. Antônio Vicente da Fontoura, encarregado de negociar a anistia com o Império, denunciou os estragos da corrupção.

A chamada “Guerra dos Farrapos” esteve longe de ser um movimento de origens populares, especialmente das principais cidades como Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande.

Muito ao contrário. Constituiu-se em um conflito de facções da classe dominante. Fazendeiros gaúchos insatisfeitos com as leis federais e com a quantidade de impostos, contra o governo imperial.

Enquanto a “Balaiada”, no Maranhão, foi uma guerra dos pobres e abolicionistas, a “Revolução Farroupilha” foi conservadora, não previu a abolição da escravatura na Constituição que chegou a ser escrita, usou os negros como mão de obra militar no momento do aperto e os traiu em “Porongos”.

Em 1993, o historiador gaúcho, Mário Maestri, escreveu o livro “O Escravo Gaúcho- Resistência e Trabalho”, versando sobre a nova ótica do “Massacre de Porongos”.

Nessa obra ele apresenta a tese do acordo entre Canabarro e os imperiais. A história oficial nega terminantemente a traição. No entanto é fato conhecido no Rio Grande as dúvidas de chefes “Farroupilhas” sobre o tema. “Teriam sido traídos?”, perguntavam-se.

Isso inclusive gerou um processo contra Canabarro no Tribunal Militar dos rebeldes “Farroupilhas”. Difícil saber se nisso também esteve envolvida alguma disputa interna entre os líderes da Revolta.

O certo é que com a "paz" o trâmite continuou na Justiça Militar do Império, mas em 1866 o general Osório fez com que o processo fosse arquivado, sem ter sido concluído.

Correntes até hoje disputam as verdades da história. Uma, diz que os “Farrapos” não entregaram aos imperiais os negros que com eles lutaram sob a promessa de liberdade.

Outra garante que houve um acordo de entrega e que o Barão de Caxias libertou esses negros aqui no Rio Grande mesmo, incorporando-os ao Exército.

Os “Farrapos” receberam indenizações secretas do Império. Fontoura foi encarregado de fazer a distribuição do dinheiro no que chamou de “quatro dias do inferno”. A fome pelo dinheiro levou à apresentação de notas frias e uma disputa sem limites. Fontoura chamava Bento de infame.

Parte do “1º Corpo de Lanceiros Negros” participou da expedição a Laguna, ao comando de David Canabarro. A retirada dos “Farroupilhas” de Laguna para o Rio Grande do Sul, através de Lages e Vacaria, contou com a presença de Teixeira Nunes, Giuseppe Garibaldi, Luigi Rossetti e Anita Garibaldi e foi assegurada por muitos valorosos soldados negros.

A MAIOR LANÇA FARRAPA

A mini série “A Casa das sete mulheres”, apresentada pela Rede Globo de Televisão focalizou a malograda tentativa de em Laguna –Santa Catarina dos “Farrapos” ali estabelecerem a “República Juliana” e nela um porto de mar para eles.

O personagem principal deste episódio foi o coronel Teixeira Nunes no comando de seu célebre “Corpo de Lanceiros Negros Farrapos”, cuja existência não vinha sendo ressaltada pela historiografia.

Esse líder foi considerado a maior lança farrapa, segundo o general Tasso Fragoso. E duas de suas virtudes estão inscritas no brasão da República Rio-Grandense, “Firmeza e Doçura”, sob a forma de dois amores perfeitos e assim traduzidos:

Firmeza ao combater com toda a garra e valor visando a vitória. Doçura, depois de vencido o combate respeitar como religião do prisioneiro inerme a sua vida, honra, família e patrimônio.

Garibaldi que foi seu comandado em Laguna e na retirada para o Rio Grande do Sul, e mais tarde na Itália, lembrou o seu grande valor como um dos mais assinalados guerreiros farrapos e também como o bravo dos bravos.

O coronel Teixeira Nunes prestou distintos serviços militares à Independência e soberania do Brasil na “Guerra Cisplatina”, entre 1825-1828, como alferes de um Regimento de Cavalaria das Missões.

Participou da “Batalha do Passo do Rosário”, em 20 de fevereiro de 1827 e teve papel destacado ainda nesta guerra, contra uma incursão profunda inimiga que penetrou até rio Camaquã a partir do rio Jaguarão. Participou com destaque do “Combate de Rio Pardo”, em 1838.

Na “Revolução Farroupilha” foi um dos mais constantes, intrépidos e denodados líderes de combate. Brilhou em diversas ações, ao ponto de ser classificado por Assis Brasil "como o maior herói da Revolução" e pelo general Tasso Fragoso como "a maior lança farrapa".

Seu maior feito estratégico foi derrotar em Santa Vitória (Bom Jesus) a Divisão Paulista ou da Serra, enviada de São Paulo para lutar contra a Revolução.

Isto quando em companhia de Garibaldi, Rosseti e Anita Garibaldi, retornava da malograda expedição a Laguna, em 1839.

A Teixeira Nunes coube, em 26 de novembro de 1844, a última reação armada da “República Rio-Grandense” que custou-lhe a vida, após memorável e comovente reação junto com seus lanceiros negros na “Surpresa de Porongos”, 12 dias antes.

Teixeira Nunes foi um dos maiores lanceiros de seu tempo, e como uma ironia do destino caiu mortalmente ferido por uma lança manejada pelo braço vigoroso do alferes Manduca Rodrigues, um uruguaio que se notabilizou pela incrível habilidade com os cavalos e pelo uso de sua boleadeira em guerra.

A morte de Teixeira Nunes foi assim comunicada pelo então Barão de Caxias, em ofício: Posso assegurar a V. Exa. que o Coronel Teixeira Nunes foi batido no campo de combate, deixando o campo, por espaço de duas léguas, juncado de cadáveres. Eram seguramente cadáveres de “Lanceiros Negros”.

A trajetória dos “Lanceiros Negros” esteve a disposição do público gabrielense, de 19 a 30 de setembro de 2012, quando de exposição realizada no Museu Nossa Senhora do Rosário. (Pesquisa: Nilo Dias - Publicada no jornal "O Fato", de São Gabriel-RS, edição de 22 de outubro de 2017)




sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Momento inesquecível

A jornalista e profesora Marta Jaqueline Ramos Mendes, em 1994 entrevistou o famoso cantor carnavalesco "Negrinho da Beija Flôr", quando este se apresentou no Ginásio Plácido de Castro, em São Gabriel. (Foto: Página de Marta Mendes, no Facebook)
*Hoje li muito emocionada a reportagem sobre meu pai, reparando um pouco da pessoa que ele era. Ele falava muito no senhor, eu estava com ele na hora que Deus o levou .

Foi muito difícil segurar a mão dele e dizer: "pode descansar".  Ele nunca mais foi o mesmo após a morte de minha mãe. Horas antes de dar o último suspiro falou que minha avó Vilsa e a minha mãe estavam ao lado da cama e que elas teriam vindo busca- lo.

Eliane Walterman

Com referência a postagem "O Natal nunca mais será o mesmo". Link:

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3765766403064658429#editor/target=post;postID=3064105350678708200;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=34;src=postname

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O velho Hospital Militar

Antigo Hospital Militar de São Gabriel, em foto de 1930. Está desativado há anos.O prédio, hoje ocupado por algumas famílias, fica na Barão de São Gabriel com Tristão Pinto. Prestem atenção para o detalhe, o símbolo do Exército no alto do prédio.(Foto: Arquivo do saudoso historiador Osório Santana Figueiredo)

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Indústria e comércio em São Gabriel

São Gabriel no passado era economicamente bastante forte. Pelo menos é o que mostrava o "Almanak Laemmert  Administrativo Mercantil e Industrial", editado no Rio de Janeiro e com dados relativos a todos os municípios brasileiros.  A cidade contava com várias indústrias e empresas de secos e molhados, como se pode ver abaixo:







SECOS E MOLHADOS