domingo, 20 de agosto de 2017

Vizinhos na morte

A saudosa amiga Myrta Luza Garcia Dias Rieth, autora de dois interessantes livros, que tenho em minha biblioteca, "Casarões" e "Estâncias", conta neste, que no topo do Cerro Santa Marta, na fazenda de igual nome,situada na localidade de Vacacai, existe um grande jazigo, onde reposam os restos mortais de Manoel Patricio de Azambuja, pai do marechal Fábio Patricio de Azambuja.

O túmulo foi construído com pedras de cantaria, técnica milenar de construção, ao estilo de uma capela, com escadaria e lápide em bronze, onde se pode ler o seguinte epitáfio: "Aqui jazz o Rio-grandense Manoel Patrício de Azambuja, nascido em 08/11/1822 e falecido em 11/11/1902. Deixai vindouros em repouso nesta tumba permanente, os restos mortais de quem na vida socorreu aos indigentes”.

Manoel Azambuja construiu a charqueada do Vacacai, em 1889, a primeira do município de São Gabriel, e empregou muita gente necessitada. Grande estancieiro, o maior empresário da época na cidade.

Ao lado encontra-se um túmulo menor, com apenas uma cruz, que segundo se sabe nele está sepultado um negro de nome Jonas, filho de escravos, que foi criado pela família de Manoel Patrício. (Fonte: Página de Beraldo Lopes Figueiredo, no Facebook e demais informações colhidas na Internet e no livro "História de São Gabriel", de Osório Santana Figueiredo)

Jazigo de Manoel Patricio Azambuja.

Túmulo de Jonas.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Um time de "craques"

Time de Futebol de Salão da Rádio São Gabriel, em 1958, que se sagrou campeão do Torneio Zona Centro de Rádio. Em pé: Zenon Figueiró Martins e Don Vives. Agachados: Isidoro Léo, pai de Eduardo Léo, que foi o artilheiro da competiçaõ, Oswaldo Nobre e Antônio Paulo. Dessa turma apenas Léo e Antônio Paulo estão vivos. 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Lembrando o historiador

Em 2014 o historiador Osório Santana Figueiredo, que recentemente nos deixou, lançou o livro "Barão de Candiota -Vila de Tiaraju". E foi até aquela vila fazer uma sessão de autógrafos. Tiaraju ficou engaladada nesse dia 10 de março.

A sessão foi realizada na Escola Estadual José Antônio de Assis Brasil. Na foto de Plínio Dotto, a recepção ao historiador por professores, alunos e servidores da escola dirigida, na época, pela professora Maslova Mota Souto. (Fonte: Carderno 7 - São Gabriel). 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Lembrando a "Dona Dedé"


Uma bonita recordação, compartilhada da página da amiga Carmen Evangelho, no Facebook. Sua saudosa avó, Adália Augusta Vieira Evangelho, a "Dona Dedé", como era conhecida em São Gabriel. Ela foi esposa do grande fotógtafo Isaias Evangelho. Depois que ele faleceu, ela assumiu as funções do marido e também se tornou uma fotógrafa de muita competência.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O aniversário do Chico Chiappetta


O amigo pecuarista Chico Chiappetta, comemorou seu aniversário em grande estilo, semana passada. A festa foi no restaurante "Seu Batôo", com música ao vivo e se prolongou até o dia clarear. Nas fotos, no alto, visão geral da festança e abaixo, Tarso Teixeira, presidente do Sindicato Rural, Geraldo Estrázulas Pereira de Souza, o delegado de Polícia, doutor José Bastos e o aniversariante. (Fonte: As 10 mais de Dagoberto Focaccia, no jornal "O Fato", de São Gabriel-RS)

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Lembrando o professor "Pelé"

O professor Luiz Célcio Araújo, o "professor Pelé", hoje dá nome a quadra de esportes da Escola Estadual XV de Novembro. A homenagem foi uma iniciativa de colegas, alunos e ex-alunos. Quando do descerramento da placa, na foto acima, mais de 100 pessoas prestigiaram o acontecimento.

Embora tivesse passado muito tempo de sua vida em São Gabriel, era natural de Caçapava do Sul. Começou a estudar no XV em 1969, onde se formou e trabalhou como professor de Educação Física, por mais de 40 anos.

Durante o período escolar, sempre participou como atleta das equipes esportivas, envolvimento que permaneceu mesmo depois de formado, quando passou a ser instrutor de várias modalidades, principalmente atletismo e basquete. Desde então, nunca mais parou de treinar os times do colégio.

Sargento aposentado do Exército e formado em Educação Física, pela Universidade da Região da Campanha (Urcamp), de Bagé, em 1990, "Pelé" teve sua relação com a escola formalizada apenas durante o ano de 1998, quando passou em primeiro lugar em uma seleção para professores temporários. 

Ele treinou as equipes juvenis de basquete e atletismo do XV de Novembro por puro amor ao esporte. Teve um professor em Caçapava que lhe deu a primeira oportunidade como atleta. O trabalho com os alunos do XV foi uma forma de retribuir o que conquistou através do esporte. Até hoje treina equipes de basquete da escola.

"Pelé"sempre foi timido e dono de uma voz grave, mostrando um sorriso de orelha a orelha. Além do talento como treinador, tendo perdido a conta de quantos títulos conquistou ao longo da carreira, tinha  e tem também habilidade para fazer amigos.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Procissão de São Cristóvão

No último domingo, 30 de julho, aconteceu em São Gabriel a “40ª Procissão de São Cristóvão”, com a participação de cerca de 500 caminhoneiros. O evento que é organizado pela “Comunidade São Cristóvão” percorreu cerca de sete quilômetros, passando pelas principais ruas da cidade e encerrando na Praça Doutor Fernando Abbott, frente a Igreja Matriz, onde os motoristas receberam a benção. (Fonte e foto: Blog "A Notícia Online", de São Gabriel)


domingo, 30 de julho de 2017

*Nesta sexta-feira, o Jornal "O Fato" publicou uma belíssima e tocante reportagem sobre a vida do meu pai, Carlos Alberto Moreira. Um relato feito com sutileza, respeito e a evidente memória afetiva de alguém que foi, até o final de sua vida, um de seus melhores amigos: O jornalista Nilo Dias.

Estão ali todas as facetas do meu pai - o comunicador criativo, o compositor inspirado, o repórter com um senso de missão, o tribuno exaltado, o militante convicto, o frequentador ativo da roda de intelectuais que se formava no "bar do Tamika", onde saía a verdadeira "reunião de pauta" do jornal em que ambos foram sócios.

Meu pai, que não podia enxergar, criou ao redor de si um mundo próprio através das palavras, com as quais fazia o que quisesse: uma canção, um discurso, um programa de rádio popular, uma notícia, um artigo de opinião. A definição de Nilo é a mais precisa que já li: "Carlos Alberto tinha pensamento rápido e respostas desconcertantes".

Sou imensamente grato à gentileza da Ana Rita Chiappetta Focaccia, diretora do jornal, por publicar esta homenagem, ela que era uma das poucas a conseguir lidar com o gênio atrevido do meu pai, na Rádio Batovi - e que viria a ser minha colega na imprensa da Prefeitura e minha chefe no próprio Jornal O Fato. Guardo ainda com carinho uma linda exéquia escrita por seu pai, Dagoberto Focaccia, para o meu.

Infelizmente, por essas idiotices da vida, Nilo e eu não somos mais amigos. Nossas convicções ideológicas foram nos distanciando ao ponto da ruptura. Coisas boas e ruins são do curso normal da vida. Mas sei da sinceridade com que ele sempre foi amigo leal do meu pai, e sou grato pelo carinho com que se refere a ele, ainda hoje.

Vou guardar um exemplar com carinho. E outro vou deixar com minha mãe.

Um político que deixou saudade

Parece que foi ontem, mas já se vão 24 anos da morte de Carlos Alberto Abrianos Moreira, um político que marcou seu nome na história de São Gabriel para sempre. Fui seu amigo de muitos anos. No dia em que ele morreu, 1 de junho de 1993, a fatalidade se fez presente.

Primeiro, porque o esperei no Bar “A Toca”, do amigo comum, Marciano Bastos, frente à Prefeitura e ele não apareceu. Quase diariamente eu o deixava em casa, no Bairro Menino Jesus.

Segundo, porque quis o destino que ele fosse primeiro a Rádio Batovi, onde apresentava o programa “Batovi Notícias”, ao lado do jornalista Miguel Monte dos Santos.

E aí é que aconteceu a tragédia. Ao tentar atravessar a avenida Mascarenhas de Moraes, um carro dobrou em alta velocidade a esquina da Tristão Pinto e o acertou em cheio. Morreu aos 48 anos de idade.

Eu só fui saber do ocorrido à noite, quando recebi um telefonema do Cláudio Castro. E de imediato eu e a Teresinha, minha esposa, fomos para a Igreja na Tristão Pinto, onde aconteceu o velório. O sepultamento foi no dia seguinte com grande acompanhamento.

Nunca esqueci quando o seu irmão Pedro, me pediu que fosse o primeiro a pegar na alça do caixão, pois indiscutivelmente fui seu melhor amigo. Triste missão, da qual não tinha o direito de me esquivar.

UM HOMEM DE IMPRENSA

Carlos Alberto Moreira, além de político foi um homem de imprensa e músico. Fomos sócios no combativo jornal “Tribuna do Povo” e parceiros no programa “Roda Viva”, na Rádio Tupancy, que alcançou grande audiência na época, em razão de entrevistas polêmicas.

Antes, já havia trabalhado na Rádio São Gabriel, com o programa “Brasil de Todos os Sons”. Também atuou no jornalismo impresso, nos jornais “O Imparcial”, “Eco do Pampa” e “Tribuna do Povo”, do qual foi sócio proprietário.

Mesmo deficiente visual, Carlos Alberto não tinha o menor problema em participar de transmissões de festivais nativistas pela Rádio Batovi.

Certa vez, ele e o locutor Miguel Monti transmitiam a “Gauderiada da Canção Nativa”, desde Rosário do Sul. E Miguel, que era um ótimo profissional, perguntava a Carlos Alberto: “Na sua opinião, quem é o melhor intérprete?” E Carlos Alberto respondia, “fulano”.

“E qual a melhor música”. Carlos Alberto opinava. Até que Miguel lhe perguntou: “E qual a melhor indumentária”: Não restou ao nosso querido Carlos Alberto nada mais que dizer: ”Não sei, sou cego”.

Carlos Alberto tinha pensamento rápido e respostas desconcertantes. Logo que fundamos o jornal “Tribuna do Povo”, ele foi até a Câmara Municipal, em busca de publicidade.

O vereador presidente da Casa, que não vou dizer o nome, negou o pedido sob a desculpa de que o jornal iria chamar seu líder político de “ladrão”. E Carlos Alberto nem pestanejou para retrucar: “Nosso jornal não vai publicar notícias velhas”.

Desde a infância ele desenvolvera aptidão para a música e para a comunicação. Não era um músico profissional, embora dominasse bem o violão. Tinha voz e ritmo para cantar qualquer tipo de música. Obteve até registro de músico profissional na Ordem dos Músicos do Brasil.

TALENTOSO COMPOSITOR

Foi participante ativo do movimento cultural que difundiu festivais de nativismo pelo interior do Estado. Como compositor, teve em “Benzedura”, a sua música de maior sucesso.

Ela foi cantada na “II Ronda da Canção Nativa”, de Alegrete, em 1982 E depois foi gravada e interpretada pelo famoso cantor nativista Wilson Paim e pela cantora Janaína Maia.

É uma das letras mais lindas do cancioneiro gaúcho:

Na medicina campeira/O que o remédio não cura/Se cura com brasa,
prece e tesoura/De quem sabe benzedura.

Sapinho doutor não cura/O bom é mandar benzer/Lá no chiqueiro do porco/A benzedeira pergunta/E manda a mãe responder:

("O que é que eu corto, sapo brabo?"/"Te corto a cabeça e te corto o rabo!"/Benziam durante três dias/Em nome de Deus e da virgem Maria)

E se o bichinho está brabo/Não quer desaparecer/Leve em duas benzedeiras/Não deixe nenhuma da outra saber/Uma que benze no portal/E outra no cocho lá do quintal.

("O que é que eu corto, sapo brabo?"/"Te corto a cabeça e te corto o rabo!"/Benziam durante três dias/Em nome de Deus e da virgem Maria)

Quem vai benzer no futuro/As crianças ao nascer?/Quem benzia está indo embora/E o novo não quer aprender/Tradição e caridade/Que vai desaparecer.

Criança quando novinha/Sofre muito de quebrante/Chora muito e dorme pouco/Diz a crença popular/Que fazendo cruz na testa, com a língua/A mãe pode tirar:/"Eu te pari! Te criarei!/Se tiver quebrante, te tirarei!"

("O que é que eu corto, sapo brabo?"/"Te corto a cabeça e te corto o rabo!"/Benziam durante três dias/Em nome de Deus e da virgem Maria)

Outra linda composição com música de Carlos Alberto, e letra do promotor Nelson Lydio foi "Levanta Gaúcho", gravada em meados de 1987.

Pelo que sei, a música foi um presente de Nelson Lydio, que ao arrumar arquivos pessoais, encontrou a fita com a gravação original e passou-a para mp3.

Ainda sobrava tempo para Carlos Alberto se preocupar com o futebol da cidade. Fazia parte do Conselho Deliberativo da S.E.R São Gabriel, e muitas foram as vezes em que conseguiu patrocínio e saiu as ruas da cidade, no veículo de propaganda do saudoso Jacinto, que também era fotógrafo profissional, para chamar a torcida a assistir os jogos do clube.

CHURRASCOS NO TAMIKA

Lembro dos nossos famosos churrascos dos sábados a tarde na Mercearia do Tamika, na Praça do Bairro Menino Jesus, quando Carlos Alberto soltava o verbo em inspiradíssimos improvisos.

Tenho guardada até hoje uma fita cassette que gravei quando de uma de suas criativas canções, com referência a um famoso político da terra.

As concentrações debaixo das frondosas árvores da praça serviam para todo o tipo de discussões, desde política até futebol. Além da revigorante sombra, é claro.

Eram participantes ativos eu, o Carlos Alberto, seu filho Claudio Moacir, que era ainda um guri, e talvez ali tenha se inspirado para ingressar na política, anos depois.

Ele chegou a ser um dos colaboradores do jornal “Tribuna do Povo”. E com o passar dos anos enveredou por outros meios de comunicação da cidade.

Muitas vezes o Bereci da Rocha Macedo, tomava para si a tarefa de assar o churrasco. Era também um bom assador, embora deixasse a carne quase crua, sangrando, bem do jeito que ele gostava. Mas nem todos tinham vocação para “vampiros”.

Mas não posso esquecer do nosso churrasqueiro mor, o saudoso Zeca, que também sabia preparar como ninguém uma espetacular torta de traíra sem espinho. Bons tempos aqueles. Outro de nossos assadores era o Machado (zelador da praça), já falecido.

Como memória de velho não funciona bem, estou com 76 anos, tive de recorrer ao amigo Bereci Macedo para lembrar os nomes dos assíduos frequentadores dos memoráveis “rega bofes” no Tamika. Se faltou alguém, peço desculpas antecipadas.

A lista é extensa: Lázaro, Murchio, Ceschinni, Bastianello, seu Moraes, Fernandez, Milton Mattos, Roberto Ravazzi, Vanderlei (vovô), Araí, Osvaldo, Pantinha, Porciúncula, Sérgio Brasil, Mirinho, Corálio Laureano, hoje com 89 anos, irmão do saudoso Zoé (torço para que ainda esteja entre nos).

O ritual, invariavelmente era sempre o mesmo. Lá pelas 11 da manhã começavam os preparativos. O pessoal ia chegando devagarinho e as três da tarde todos já tinham almoçado.

A cerveja amiga continuava até as cinco ou seis horas, ao som do violão e voz do Carlos Alberto Moreira. A festança terminava, quase sempre com um discurso do Bereci.

Depois, a noite espichava na cancha de bocha da Associação dos Moradores do bairro, que leva o nome do inesquecível Jaime Vargas dos Santos, o “Geada”, antigo craque da dupla Grenal e que fez parte da turma de pioneiros do churrasco.

Certa ocasião formei uma dupla com o João Manoel, irmão do Bereci, em um torneio de bocha. Eu nunca fui bom nesse esporte, mas também é verdade que nunca me faltou sorte no trato com às bochas.

O esquema era simples, eu as jogava para bem próximo do “bolim” e o João Manoel se encarregava de retirar as dos adversários para bem longe. Uma a uma eliminamos as demais duplas e o prêmio foi uma caixa de cervejas geladíssimas, que esvaziamos em pouco tempo.

Tempo bom que não volta mais. A mercearia fechou faz tempo, o Tamika foi embora, mas o local, com toda certeza, marcou época.

E o Bereci me conta que o amigo comum, Cláudio, mais conhecido por “Cabo Onze” andava peleando valentemente pela sobrevivência. Não sei se conseguiu.

A distância nem sempre nos traz notícias da terra e dos amigos. A última coisa que soube dele, é que estava meio esquecido, se perdia de casa. Eu o conheci quando ainda estava na ativa e frequentava o Bar do Lima, frente o 9º RCB.

O Lima do bar, a exemplo do Bereci, é gremista de quatro costados, o que não inviabiliza nossas amizades. Eu perdoo os dois, afinal de contas ninguém é perfeito.

Certa vez fui pescar com o Tamika e o Zeca. O lugar, já nem lembro mais. Sei que bem à tardinha saímos em direção ao mato, para pegar algumas pitangas. Eu e o Zeca ficamos para trás, pois não tinha como acompanhar o passo do Tamika, que com suas pernas enormes logo se distanciou de nós.

Colhemos as pitangas, mas sofremos muito com os mosquitos que havia na beira do rio. Pelo jeito eles estavam participando de algum congresso internacional, tal a quantidade e a voracidade.

Foi nessa pescaria que aprendi uma forma diferente de cozinhar arroz. O Zeca colocava água aos poucos, e não de uma vez só como é usual. E deu certo, o arroz ficou bem cozido e soltinho.

CEGUEIRA VEIO NA ADOLESCÊNCIA

O nosso querido Carlos Alberto não nasceu cego. Pelo que se sabe a deficiência visual aconteceu de maneira progressiva, quando ainda na adolescência, chegando ao climax quando tinha 24 anos.

Era o filho mais velho do seu Moacir Moreira, que era militar. Quando o conheci já estava na Reserva. Carlos Alberto tinha seis irmãos. Conheci o Pedro, que também residia no Bairro Menino Jesus e é professor. Da Rahyza fiquei sabendo pela Internet.

Carlos Alberto era casado com dona Maria da Anunciação, com quem teve três filhos: André, que é bem sucedido jornalista, trabalhando há vários anos no jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre; Cláudio Moacir, que além de jornalista é pastor evangélico e Carlos Ismael, que é funcionário do Jornal “Zero Hora”.

A propósito, Carlos Ismael foi quem fez o trabalho de editoração dos meus livros “100 anos de futebol em São Gabriel” e “Nico, o Bombardeador”. Trata-se de um excelente profissional.

E com certeza dará toda a sua competência na editoração de meu terceiro livro, “Xavantes de Ouro”, referente ao G.E. Brasil, de Pelotas, ainda sem data para lançamento.

UM POLÍTICO AUTÊNTICO

Como político bem sucedido, Carlos Alberto foi um dos precursores dos direitos dos portadores de deficiências. Bem antes da sociedade moderna preocupar-se com a inclusão social, Carlos Alberto já levantava essa bandeira.

A queda de Carlos Alberto para a política se fez presente na juventude, quando se filiou à “Ala Moça” do antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola.

Em 1974 foi eleito vereador em São Gabriel, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) alcançando a expressiva soma de mais de 900 votos. Foi no tempo da ditadura militar em que existiam somente dois partidos políticos no país: a Arena, governista e MDB, oposição.

Em 1983, tornou-se o primeiro cego a presidir uma Câmara de Vereadores no Brasil e na América Latina. Carlos Alberto não foi um vereador qualquer. Ele trabalhou intensamente, honrando o mandato e apresentando projetos que beneficiaram pessoas portadoras de deficiência. Também se importou com as gestantes.

E foi um ardoroso combatente contra à corrupção na gestão pública, num tempo em que não se falava muito no tema, como acontece agora. 

Ele e o colega de Legislativo, Luzardo Mello da Silva (PDS), lutaram politicamente para que uma unidade do Corpo de Bombeiros viesse para São Gabriel, o que acabou ocorrendo.

Foi ideia dele o “I Seminário de Estudos dos Problemas de São Gabriel”, promovido pela Câmara de Vereadores, quando foram discutidas medidas que proporcionassem melhorias para às deficiências estruturais que engessavam o desenvolvimento local, tais como os déficits hídrico e energético.

Graças a isso, poucos anos depois os governos estaduais de Simon e Collares, deram início a construção das barragens VAC-1 e VAC-4, o que mudou o desenvolvimento da agricultura no município.

VOLTA ÀS ORIGENS

Em 1992, deixou o PDT, para voltar às origens, filiando-se ao PTB atendendo convite de Arlindo Vargas, que chegou a ser eleito deputado federal, e com quem convivi em Brasília.

Várias vezes almoçamos juntos em um dos restaurantes existentes no Palácio do Planalto. Arlindo foi também Subchefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República.

Carlos Alberto Moreira dava ou ainda dá nome a Sala de Imprensa da Câmara Municipal de São Gabriel, por proposição do falecido vereador Renato Andrade da Silva (PMDB).

No entanto, a família pediu a retirada da honraria tendo em vista que o produtor rural responsável pela morte do jornalista e radialista fora homenageado pelos vereadores por ocasião da entrega de honrarias, quando do aniversário da cidade.

Outro que partiu foi o Luis Pacheco Murqui, funcionário da Aspeme e companheiro de inesquecíveis churrasqueadas no Bar do Tamika, no Bairro Menino Jesus, onde residia.

Formávamos um seleto grupo de amigos, pena que alguns já não estão mais entre nós: o sempre sorridente Zeca, churrasqueiro oficial do bar; o incomparável Carlos Alberto Moreira, que alegrava nossas tardes com seu violão e voz, em improvisos sempre bem humorados e o Luiz Carlos Bastianello, funcionário da Justiça e amigo de todas as horas.

Cada vez que eu abro o “Jornal da Cidade” e leio a coluna de Necrologia sinto um frio no estômago, pela possibilidade do falecimento de alguma pessoa conhecida.

Era tradicional o churrasco dos sábados a tarde, quase sempre preparados por outro amigo que já partiu, o saudoso Zeca, que também foi meu companheiro de inesquecíveis pescarias. Era um cozinheiro de mão cheia. Lembro que ele sabia preparar como ninguém um pastelão de peixe e outras guloseimas.
  
Um verdadeiro “time de craques” participava desses momentos de sadia confraternização e muita cerveja gelada, aproveitando a sombra das frondosas árvores da praça frente o bar. Entre os que marcavam presença sempre, estavam o Luiz Carlos Bastianello, Luiz Porciuncula (Popô), Carlos Alberto Moreira, Murki, Bereci Macedo, Eraldo também de saudosa memória), eu e tantos outros que a memória já gasta pelos 76 anos de idade, não ajuda a lembrar.

Era bom ouvir o violão e os improvisos do Carlos Alberto Moreira, exímio repentista que de forma bem humorada saudava alguns nomes importantes da política local. E não faltavam os comentários inteligentes do Bereci Macedo, que dava verdadeiras aulas de política aos seus atentos ouvintes.

Pena que os bons momentos da vida não se perpetuam. O Bar do Tamika acabou, muitos companheiros faleceram e outros saíram de São Gabriel, meu caso. Ficou apenas a saudade.

Dia desses o Marcel, jovem advogado de nossa cidade, filho do Luiz Carlos Bastianello me mandou por e-mail uma foto em que eu e seu pai estávamos juntos num daqueles memoráveis churrascos. Essa foto está no meu álbum no Orkut e a guardo com muito carinho.

Uma ocasião eu e o meu amigo tenente Dutra, estávamos nas Pontes Brancas pegando lambaris para servirem de iscas, para a pescaria da noite. Eram mais ou menos 6 horas da manhã de um gelado dia de inverno, e nós com água até o pescoço, mas bem aquecidos por generosos goles de “3 Fazendas”.

Foi quando passou em uma camioneta o Luiz Carlos Bastianello, que se dirigia para uma propriedade rural no interior do município. Deve ter pensado com seus botões: “Esses caras não regulam bem”.

Sei que em horas como esta o sentimento de dor fala mais forte que as palavras. Mas da vida temos três certezas, nascer, viver e morrer. É o destino inexorável de todos nós. O que fica é o que fomos. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Encontro de carros antigos

O Auto Clube São Gabriel promoveu de 10 a 11 de outubro de 2015, na Praça Doutor Fernando Abbott, o "3º Encontro de Carros Antigos, Motos, Bicicletas e Mercado de Pulgas de São Gabriel".

Na ocasião receberam premiações os veiculos inscritos de fora da cidade, troféus de participação, camisetas, sorteio de brindes e distribuiçao de erva mate e água-quente, a cargo da Ervateira São Gabriel.

O 1º Encontro aconteceu nos dias 5 e 6 de setembro de 2013. O 2º, em 2014. O 4º Encontro ocorreu em 12 e 13 de novembro do ano passado, e o 5º Encontro está previsto para os dias 10 e 11 de novembro deste ano.

Fotos de Ceres de Souza, no 3º Encontro de Carros Antigos de São Gabriel







quarta-feira, 19 de julho de 2017

Uma gabrielense de destaque

A escritora Ieda Cunha Cavalheiro, que já foi presidente da Casa do Poeta Riograndense é filha de São Gabriel, onde nasceu em 23 de março de 1950. Reside em Porto Alegre desde 1975. É mãe de três filhos: Emmanuel, Leonardo e Isabelle.

Uma intelectual de respeito. Bacharel em Letras pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e em Direito, pelo Instituto Ritter dos Reis, de Canoas, RS. Foi professora primária, em São Gabriel e de Língua Portuguesa em Bagé.

Assessorou Delegacias de Ensino e da Secretaria Estadual de Educação (SEC), em Porto Alegre e atua como advogada em Porto Alegre e Grande Porto Alegre, desde 1988, como profissional liberal, exercendo a profissão, embora aposentada, desde 31 de março de 2005.

Escreveu para vários jornais-informativos do Estado, entre eles “O Imparcial”, de São Gabriel, onde publicou artigos sobre a Reforma do Ensino; Jornal: “A Razão”, de Santa Maria; Jornal da Escola Adventista de Porto Alegre; Revista do Lions - Club Porto Alegre – Redenção, entre outros.

No ano de 2006, criou e editou o Primeiro Informativo da Casa do Poeta Rio - Grandense, “Operário das Letras”. Em junho de 2006 assumiu a Presidência da Associação de Arte e Literatura da Zona Norte de Porto Alegre e a Presidência da Casa do Poeta Rio-Grandense em 24 de julho de 2007.

Livros publicados: “Sinfonia de Vida”, poesia; “O Peixinho e a Menina Triste”, conto infantil; “Nas Asas da Paz”, coletânea em Prosa e Verso; “Casa do Poeta 44 Anos”; “Casa do Poeta 46 Anos” e “Casa do Poeta Rio-Grandense 47 Anos”.  Participou de mais de 30 Coletâneas em Prosa e Verso, possui crônicas publicadas em alguns jornais. Foi Presidenta de 2007 a 2011 da Casa do Poeta Rio-Grandense.